Estou cansado, é claro

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto –
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
De entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro Campos

modernaço

certamente um regresso às origens o “separador” que apareceu n’a dois na quarta-feira.
faz parte do imaginário da nossa geração (dos bloguistas de serviço pelo menos) aquela mensagem singela que de quando em vez aparecia, normalmente quando ia começar o nosso programa favorito, segundo a qual, por motivos técnicos o programa tinha sido interrompido mas não se preocupem porque a emissão segue dentro de momentos e que foi até motivo para um sketch (ou squeteche na nova grafia) do herman (na altura em que ele ainda tinha piada e que só a nossa geração conhece)
o programa segue dentro de momentos
o momento segue dentro do programa
dentro do programa segue o momento
segue o momento dentro do programa
etc.
claro que os tempos são outros e sinal disso…

somos forçados a iMterromper a emissão
assim com m e tudo… já dizia a lenga-lenga que aprendi nos idos de 81, antes de pê ou bê é sempre mê.