Olhos de Cão Azul

Esta colectânea de 11 contos cujas datas vão de 1947 a 1955 transporta-nos para o início da carreira de Gabriel Garcia Marquez.

Para quem já conhece a sua obra, este livro pode ser visto como uma introdução aos seus trabalhos posteriores, nomeadamente “Cem Anos de Solidão” que é passado no mesmo Macondo aqui apresentado em “Monólogo de Isabel Vendo Chover em Macondo” (1955).

A característica que mais sobressai em todos os contos deste livro é sem dúvida a forma como as histórias mais improváveis são contadas, como se, por exemplo, fosse absolutamente normal uma pessoa que já está morta continuar a ter consciência do que se passa à sua volta (“A Terceira Resignação”, 1947, o seu primeiro conto publicado no jornal “El Espectator”). No entanto, esta dimensão quase sobrenatural ou irreal destes contos é ultrapassada pela forma como eles nos são dados, e que tornam quase plausível que um homem e uma mulher combinem cada um nos seus sonhos, enquanto dormem, uma palavra para se encontrarem fora desses sonhos (“Olhos de Cão Azul”, 1950).

A lembrança, o sonho, ou o estado não consciente da mente humana, independentemente dessa mente estar num corpo vivo ou morto, humano ou animal, é o fio condutor dos diversos contos, talvez porque por essa altura tinha voltado à sua casa de infância, ou quem sabe, porque ainda procurava na sua mente a forma de contar a história de Macondo – “…Um novo esforço em perseguição da sílaba teria sido suficiente para que a palavra rebentasse, madura e brutal; para que saísse de chofre naquela água espessa, turva, da sua esquiva memória. Mas desta vez, como das anteriores, as peçasinhas dispersas, tiradas de um mesmo puzzle, não se ajustariam com exactidão para conseguir a totalidade orgânica, e ele dispôs-se a desistir para sempre da palavra…” (“Diálogo do Espelho”, 1949).

Olhos de cão azul
Gabriel Garcia Marquez
Quetzal Editores

olhar enviezado

sinal dos tempos talvez, mas porque é que toda a gente fica perplexa com o facto de os jogadores do benfica e do guimarães terem ficado completamente transtornados com o que viram? ou porque é que causa tanta admiração as claques se terem juntado em unissono a gritar pelo feher? ou porque é que se sente algum constrangimento na voz do olegário benquerença quando ele admite que sim… por 2 ou 3 segundos pensei que ele estivesse a fazer fita.
não é normal? não é aceitável? fez alguma diferença? vai fazer mudar alguma coisa?
como disse o apresentador da sic são 21.13 e ontem a esta hora miklos feher ainda estava vivo.