SCUT e TGV, o mesmo problema

O principal problema nesta questão das scut é que não deviamos estar a perguntar se as devemos pagar ou não, mas sim se elas deviam ser construidas.
Essa era a principal questão mas também é uma questão que já não faz sentido…
Ficamos assim somente com o sentimento de injustiça de quem paga e vê outros a não pagar, de quem não pagava e não tem alternativas e passa a pagar.
Tudo isto ao mesmo tempo que quem criou um modelo insustentável tenta resolver o problema sem nunca assumir que o criou.

“Sempre tive algumas críticas ao actual modelo de concessões. Teve o seu tempo, teve a sua história, foi importante para desenvolver a rede rodoviária nacional, mas hoje não é um modelo sustentável”

Voltando à questão inicial, a pergunta deveria ser se queremos ou não estas estradas.
Porque me parece que grande parte destas estradas foi construida não na perspectiva de resolver um problema (mobilidade) mas com o simples objectivo de construir estradas, aliás auto-estradas, de preferência através de contratos de exploração garantidissimos para quem os explora.

Faz sentido que no eixo porto-povoa só haja uma solução do sec xix (en13) e outra do sec xxi (ae29) a pagar? (A mesma questão para as ligações a Sul e a Este). Onde estão as soluções intermédias? Onde está por exemplo na zona de tras-os-montes a rede de estradas que permita ligar as diferentes capitais de concelho com a segurança necessária e a velocidades condignas (média 70kmh)? Se temos recursos limitados se calhar era mais interessante investir aí do que na conversão do ip4 numa autoestrada…

Por isso é que eu digo que scut e tgv é exactamente o mesmo problema. Queremos implementar um sistema ultra-moderno e insustentável quando continuamos no essencial com uma infraestrutura do sec. xix. A grande diferença é que os bilhetes do tgv não têm o mesmo alcance (a nivel de nº de utilizadores) que as portagens e por isso a injustiça desse pagamento vai ficar mais diluida por todos nós (via impostos).

Apesar de já terem sido gastos alguns milhões em estudos para o tgv ainda espero que desta vez não se vá tão longe como no buraco insustentável das SCUT.

(publicado no Aventar)

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