O Movimento Ambientalista #2

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Soromenho-Marques – (…) Regresso ao movimento ambientalista para afirmar que, independentemente da existência de graus diferentes de adesão, há consensualidade quanto à compreensão dos limites do Estado. Uma contestação do Estado? Se quiserem. Mas uma contestação bem diferente da antiga contestação anarquista, na medida em que os anarquistas desconfiavam do Estado porque acreditavam no poder do Estado. O que acontece, hoje, no movimento ambientalista é que as pessoas desconfiam do Estado por causa da sua ineficácia. Acreditam que podem fazer melhor do que o Estado. E é verdade que podem. Não se trata de substituir o Estado. Trata-se de reconhecer que o Estado é um instrumento muito vulnerável. Que o Estado tem menos poder do que as organizções supra-estatais como a União Europeia. Do que muitas organizações económicas.

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Soromenho-Marques – (…) O que me torna cidadão é a possibilidade de intervir na vida comunitária. E a minha comunidade é a portuuesa, garantida pelo Estado português. Do ponto de vista normativo, a crítica do Estado não implica deitar fora o Estado. Pelo contrário. O que está em questão é enriquecê-lo graças ao contributo de todas as formas de democracia. Da democracia participativa e directa à democracia representativa qualificada.

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Nunes Correira – Os movimentos ambientalistas, como grupos de pressão, devem actuar junto das estruturas políticas, quer directamente quer através da opinião pública. Em suma, não se deve converter a ecologia na sede da política. Deve, outrossim, levar-se a ecologia à política, de modo a que esta se torne a sede de uma práxis ecológica.

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