O Movimento Ambientalista #1

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Ribeiro Telles – Também atribuo às organizações ambientalistas um importante papel de lubrificação. Mas lubrificar o quê e com que objectivos? Considero, por outro lado, que o bem comum é determinável em cada lugar, em cada momento, em cada caso concreto. De contrário, não passaria de uma utopia. É grave imaginar-se que da globalização possa automaticamente nascer o bem em cada sitio do planeta. Veja-se o que se passa nas monstruosas cidades africanas atormentadas pela fome. A primeira coisa a fazer para o bem daquela gente que não tem trabalho, que ali se acumulou e ali vive, marginalmente, é prover à respectiva alimentação. Mas a alimentação não pode vir de avião. Terá que resultar de uma anel agrícola que envolva essas cidades. Recria-se, assim, uma situação histórica e tradicional em que urbs e agger constituíam uma unidade, sem nenhum fosso a separar.
(…) Importa restaurar a unidade urbs/agger, a exemplo dos moradores numa das avenidas principais de S. Francisco que, chamados a pronunciar-se sobre o tipo de jardins a implantar entre os seus prédios, por sinal bem altos, responderam que não queriam jardins mas hortas. Estas, destinar-se-iam ao abastecimento de mercados locais, condição indespensável, na opinião dos moradores interrogados, para a luta contra o fast food e, por extensão, contra a obesidade.
A unidade urbs/agger é, pois, um problema do século XXI. É um problema da sociedade do futuro.

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Francisco Ferreira – Acho que muitas pessoas encaram o movimento ambientalista como a forma mais directa de assumirem a cidadania. Consideram que os mecanismos de participação tradicional não funcionam. Chegam à conclusão que a capacidade de intervenção do movimento ambientalista acaba por ser superior, em determinadas vertentes, ao próprio Estado.

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