Venha dormir ao Porto

O outro título que tinha para este post era mesmo Porto – Cidade Dormitório, um pouco mais provocador mas que se calhar transmitia melhor o que quero dizer.

Que o Porto tem perdido cidadãos ao longo do tempo já todos sabemos e muitas razões sobre porque eles se foram embora também já foram propostas… como os trazer de volta, ou conquistar novos cidadãos essa é a grande dúvida.
Sintetizando as diferentes propostas que ouvi durante as recentes eleições diria que (e posso estar a simplificar em demasia) a principal estratégia apontada é criar condições na cidade para que novas empresas se instalem aqui e esperar que com o emprego venham as pessoas e que elas fiquem por cá.

São muitos “ses” mas é uma estratégia… outra estratégia, que não exclui a primeira, mas que a pode complementar, embora seja provavelmente menos apelativa de vender, é apresentar o Porto como cidade para viver e não tanto (ou em complemento) para trabalhar, ou noutras palavras uma cidade para passar a noite e o fim-de-semana em vez de para passar o dia…
(nota pessoal: claro que esta visão vem muito do facto de eu trabalhar em Braga, a minha cara-metade em Aveiro e morarmos no Porto)
A razão porque acho que isto pode ter sentido tem a ver com algumas vantagens competitivas que o Porto tem comparativamente com os outros polos urbanos, nomeadamente no que diz respeito a mobilidade e cultura / lazer.

.mobilidade – conjugando metro e comboio qualquer parte da cidade (com acesso a metro) está a pouco mais de 60 minutos de famalicão-porto-espinho ou a 90m de braga-porto-aveiro… sim é mais do que os 45min que sempre demorei de rio tinto ao centro do porto mas também a qualidade do transporte é melhor e sempre posso aproveitar as viagens para ler / responder a mails / dormir / …

.lazer / cultura – este será talvez o ponto mais forte que a cidade tem para oferecer comparativamente com os outros polos urbanos, claro que já temos infraestruturas como o theatro circo em braga, o ccvf em guimarães, casa da cultura de famalicão, ou mais perto o teatro vieira nery em matosinhos ou em o teatro de gaia,… e também temos algumas inaugurações em braga mas não nos menosprezemos… a quantidade (senão tanto a qualidade) de oferta cultural e lazer na nossa cidade não tem muita comparação com os outros polos urbanos…
E eu não me importo de gastar mais uma hora por dia em transportes para depois poder ir a pé até ao tnsj, poder assistir a um concerto na casa da música e chegar a casa em 15min ou ir no fim de semana ao parque da cidade (perguntem por exemplo em Braga o que lhes faz falta e este é o tipo de infraestrutura que estão sempre a referir), para não falar na oferta a nivel de museus que, não sendo das mais fortes, continua a ser mais abundante por cá do que as restantes cidades.

O que faz falta ao Porto para ser uma cidade dos que vivem cá (em vez dos que trabalham cá)?… temos infraestruturas que outros não têm, serviços de proximidade (supermercados, mercearias e afins), até temos sossego (mais nuns sitios que em outros claro e também depende do dia da semana) e vamos tendo segurança…
Faltam casas (? dizem que sim, eu também demorei um ano a encontrar uma oferta que me servisse) e falta muito muito limpeza.
Isto não vai lá com o “business as usual” da limpeza com rotas programadas para recolha do lixo e ocasionais limpezas de grafitis… tem que passar a ser (porque não me parece que já seja) um trabalho diário e intenso (sim recolha diaria de todos os caixotes do lixo e se for preciso mais do que uma vez ao dia)… vai custar mais dinheiro inicialmente? é bem provável que sim mas será que esta não seria uma despesa que na verdade se transformava num investimento?

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