Conversa com Tiago Azevedo Fernandes – destaques

A propósito do primeiro programa do podcast “O Porto em Conversa

A teoria dos 80 mil.
[08:55] VS – e tens aquilo que chegou minimamente polémica dentro do blog que é a tua participação ou militância no PSD. É mesmo importante esse tipo de participação e que avaliação fazes do tempo que já passaste aí?
[13:20] TAF – a partir do momento em que aceitamos viver num regime democrático, temos que aceitar as virtudes e os defeitos que ele tem e temos que nos adaptar às ferramentas que ele nos fornece. Uma das ferramentas que a democracia nos fornecesse é a existência dos partidos políticos, é através dos partidos políticos que nos escolhemos o destino político que queremos para a coisa pública, em paralelo com intervenções de natureza diferente na sociedade civil e como eu quero ter intervenção no espaço em que vivo seja na região seja a nível nacional não me resta outra alternativa a não ser também tentar ter alguma influência através dos partidos políticos. Podia fazer isso fora mas pareceu-me especialmente importante fazer número (nem que seja) também dentro dos partidos. Porque, vamos ver, eu tomei a consciência disso há relativamente pouco tempo. Eu sempre fui, já agora, simpatizante do PSD, com discordâncias em muitas coisas, mas foi sempre uma referência, mas nunca senti a necessidade de ser militante precisamente para manter, pensava eu, aquele distanciamento aquela liberdade, não assumo o compromisso com o partido porque ser militante é de alguma maneira também assumir um compromisso com um partido, não são só direitos mas também alguns deveres, quis ter aquela distância que me pareceu confortável, não no sentido depreciativo mas pareceu útil na altura. Até porque na altura das eleições não preciso de ser militante para votar neste ou naquele partido. Mas a certa altura achei que era mesmo importante fazer número, estar mesmo registado como militante, quando comecei a fazer contas. Quantas são as pessoas que escolhem efectivamente o primeiro-ministro e o líder da oposição? Se virmos cá em Portugal há basicamente os dois grandes partidos que fazem alternância, PS e PSD e que têm cerca de 40.000 militantes votantes cada um, dá cerca de 80.000 pessoas no país que escolhem o líder do PSD e o líder do PS, ou seja são 80.000 pessoas que escolhem os protagonistas… um deles vai ser líder da oposição o outro primeiro-ministro, tipicamente. Quando tomei consciência de que estamos nas mãos de 80.000 pessoas…
Se estamos nas mãos de 80.000 pessoas então vamos ser pelo menos oitenta mil e uma! Foi essa conta que nunca tinha feito que me levou a inscrever.
Eu não tenho tido grande intervenção, sou um militante de base, longe do poder. Tenho participado em algumas reuniões do partido com os militantes e tenho ficado com a sensação que já tinha antes mas que se confirma agora e que é: os militantes do partido não são propriamente um bando de malfeitores… ás vezes ficamos com a sensação… aquela máfia aquela gente… são todos iguais… a sensação com que fico é que são pessoas sinceramente bem-intencionadas mas um bocado perdidas no meio de uma agressividade natural no meio dos partidos e de uma “partidarite” que lhes tolda um bocado a visão. Ou seja são pessoas bem-intencionadas num meio que lhes distorce um bocado a capacidade de intervenção…

Blogs e Jornais
[33:27] VS – aliás por exemplo no caso do público que é um jornal de referência mas não funciona para mim porque não tem um feed rss só dos temas do porto e então basicamente as noticias do publico que acompanho são os links que sigo a partir do site da baixa do porto, porque doutra forma não vou estar à procura todos os dias…
[33:55] TAF – apesar disso os jornalistas locais, têm algum cuidado e algum interesse específico na blogosfera e tem havido até uma colaboração tácita, não escrita mas efectiva e bidireccional entre os jornais quer o publico e o JN e a baixa do porto, não só eles vão lá buscar muita da informação e aperceber-se dos temas que interessam às pessoas como depois os trabalham e nós também relatamos o que eles fazem e há aqui uma transmissão de informação e conhecimento bidireccional muito interessante e tem sido produtiva. E mesmo que extravasa até um pouco a blogosfera. Já muitas vezes falei com jornalistas e os jornalistas falam comigo para tentar saber algumas questões sobre o porto e vice-versa. E de facto apesar do uso da internet pelos jornais não ser ainda exemplar, os jornalistas em si estão-se a aperceber que apesar das ferramentas que tem à sua disposição nos seus jornais não serem exactamente as melhores, eles próprios aperceberam que o mundo se está a mudar e eles estão a aproveita-lo em benefício de todos nós.

Comunidades Online
[28:50] TAF – a partir do momento em que se lança a comunidade depois é preciso só geri-la, não deixar a coisa desviar-se do seu rumo, mas depois de facto quem a faz de facto são os participantes e alguma uma visibilidade e algum efeito pratico que acho que vai tendo é totalmente mérito dos participantes. Mas estava a dizer, o que é que eu faço no blog para que ele vá tendo sucesso, e acho que pode ser interessante para quem nunca pensou nisso ou nunca geriu algo do género perceber onde se mexe e como funciona.
Primeiro é preciso muito tempo, as pessoas não têm noção, mas gerir um blog assim demora mesmo muito tempo. Tudo junto, não é só escrever no blog ou publicar os posts, é estar atento ao que se escreve, é participar nestas conversas que são necessárias, participar em seminários, ir falando com as pessoas… é preciso tempo, ou seja, não se faz isto com cinco minutos por dia. Segundo, é preciso uma persistência muito grande, uma coisa destas para ter efeito e para criar comunidades… uma comunidade não se cria e os laços entre as pessoas não se criam em dois ou três dias, o blog vai agora fazer cinco anos, são cinco anos agora em Abril de vida em comunidade, ou seja, as coisas demoram tempo. Há um ano atrás a comunidade que se conhecia e era relativamente coesa era muito mais pequena, agora tem uma natureza diferente, tem muito mais gente a participar e a ler


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