António Pinho Vargas

Melhor do que eu conseguiria fazer, Boaventura de Sousa Santos, no texto escrito para a apresentação do álbum Solo de António Pinho Vargas, descreve perfeitamente este compositor / performer / programador cujas obras (principalmente as da década de 80) fazem seguramente parte da identidade colectiva de uma certa geração e que tive oportunidade de ouvir ontem (14-dez-2008) na Casa da Música.

“São raros os seres humanos que, na busca da sua individualidade, constroem paradoxalmente identidades colectivas que os transcendem, sejam elas as de um povo, de uma época, de uma causa, de uma emoção ou aspiração partilhadas.
Porque não usam andaimes em tais construções é simultaneamente transparente e inabarcável o modo como justapõem o possível e o impossível, a realidade que existe e a que não existe, o quotidiano e o sublime, o que somos e o que merecemos ser.
Por não sabermos compará-los com a desparadoxal vivência da nossa mediania e das medianas distinções de que ela é feita, chamamos-lhes artistas.
O António Pinho Vargas é um desses raros seres humanos.”

Num programa que incluiu todos aqueles clássicos que mesmo sem sabermos o nome conhecemos quase de cor como “Da Alma” ou “Tom Waits”, entre outros, António Pinho Vargas, aqui na sua faceta de performer ainda fez uma perninha como comentador do estado da nação artística em intervenções ao mesmo tempo divertidas mas com observações pertinentes… daquelas em que começamos a rir mas depois ficamos com a ideia de que afinal não era para rir.

A principal observação foi a referente ao facto de não haver gravações e/ou espectáculos com peças de compositores portugueses contemporâneos. A titulo de exemplo referiu que a primeira (e imagino que ainda única) ópera de um compositor português do sec.xx registada em CD é uma das suas ópera. “Será que as outras são assim tão más? Acho que não” deixou ele no ar…

Para além disso e, como brevemente vai estrear mais uma obra, referiu que vai começar a “ronda” de entrevistas de promoção da estreia mas a ideia com que fiquei é que neste caso ele preferia ser entrevistado para a segunda ou terceira apresentação dessa obra já que o que normalmente acontece é que estes trabalhos, “depois da estreia, não passam de um monte de papeis num caixote” votados ao esquecimento.

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