Publicidade de Informação

Há uma diferenciação que pelo menos quando comecei a estudar era ensinada que é a diferença entre dados e informação. De uma forma muito sucinta, os dados são os componente da informação e com os mesmos dados podemos ter tipos de informação diferentes.

E a particularidade que nos faziam notar era que informatica era a criação / processamento de informação de uma forma automática. Isto é, alimentava-se um computador com dados, e por um qualquer processo automático / automatizável processavamos esses dados e criavamos informação.

Na idade da desintermediação da informação em que eu procuro os meus fornecedores de informação (blogs, online media, media tradicional) e em que a consumo quando quero (agregadores de feeds, podcasts, meo e outros) a questão do consumo de informação começa a estar bastante garantida.

Para além disso como quase tudo isto tem uma representação digital a velocidade com que essa informação circula é bastante mais que suficiente – desde que conheçamos os locais onde ela vai estar disponivel.
Mas nesta era digital ainda continuamos com 2 problemas:
1. nem sempre conhecemos os locais de publicitação de informação;
2. a desintermediação dos dados ainda não aconteceu, ou seja, embora eu possa escolher quem me presta a informação, não consigo pegar nos dados subjacentes e criar eu proprio a minha informação.

Na esfera pública isso reflecte-se nas seguintes perguntas exemplificativas:
– onde estão os orçamentos das freguesias do concelho do porto? não sei
– onde está o orçamento da cidade do porto. está aqui. mas onde estão os dados base para eu criar uma nova visualização sobre esses dados?

Mas há exemplos mais interessantes, nomeadamente o INE e o Banco de Portugal
Em qualquer um deles posso navegar na informação que disponibilizam (e é bastante), criar gráficos e até descarregar os dados base para depois os poder trabalhar.

Quase tudo perfeito. Só falta mesmo o quase. É que se por alguma razão eu quiser ter um gráfico que vá sendo actualizado conforme saem novos dados dessas instituições tenho que repetir manualmente o processo de aceder ao seu site, seleccionar os indicadores necessários, copiar para o meu excel ou google spreadsheet e depois voltar a mastigar esses dados de forma a obter a informação pretendida.

E o que é mais curioso é que a infraestrutura informática que o ine e o banco de portugal tiveram que montar para disponibilizar a informação como a têm actualmente foi certamente mais complicada do que a criação de um simples serviço que mediante um endereço devolve-se os dados pretendidos, por exemplo:
O que eu gostava de ter era www.ine.pt/indicadores/populacaoResidente/nuts/2007 que devolvesse uma simples pagina sem nenhum tipo de formatação de forma a poder consumir esses dados automaticamente.
(quem estiver interessado em aprofundar este conceito pode ver por exemplo o artigo da wikipedia sobre REST)

Voltando à questão inicial de descobrir a informação e poder automaticamente processar os seus dados subjacentes de forma a criar nova informação e trazendo isso para a questão publica o que eu gostava que a câmara do porto fizesse (e todas as outras naturalmente) era:
– criar um serviço de publicitação de todos os actos públicos da camara e seus organismos: estou a pensar em algo tão simples quanto poder fazer um pedido do tipo:
www.cm-porto.pt/eventos/todasAreas/proximoMes ou
www.cm-porto.pt/reunioes/assembleiaMunicipal/proximaSemana
que devolvesse algo parecido com:
data – local (gps) – descricao
– criar um serviço de exploração de todos os dados públicos produzidos pela camara e seus organismos
www.cm-porto.pt/orcamento/todasContas/2008
www.cm-porto.pt/orcamento/cultura/2008
www.cm-porto.pt/indicadoresInternos/departamentoX/ultimos5Anos
www.cm-porto.pt/(basicamente aquilo que aparece no servidor gis da câmara)

Quais os objectivos a atingir com isto:
– tornar a camara mais escrutinável
– fomentar a investigação na área de exploração e visualização de grandes volumes de informação (vejam-se exemplos como newsmap e outros )

Entretanto, e apesar de alguma dificuldade em “mastigar” os dados que o ine me disponibilizou via site, consegui fazer uma pequena demonstração daquilo que quero dizer quando me refiro a criar visualizações de dados. Mais do que a dificuldade técnica que possa ter surgida ao elaborar esse exemplo (e que não foi muito, limitou-se basicamente a copiar um exemplo de um livro) aquilo que me levou mais tempo foi mesmo ir ao site do ine, seleccionar os indicadores, copiar o conteúdo do ficheiro que criaram para o excel, por esses dados numa forma consumível pela minha aplicação.
O resultado é este e demonstra a população residente por nut3.

Junte-se à conversa

1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *