Pode ser que um dia eu comece a chamar a este edifício de escola Soares dos Reis. Mas não vai ser para já. Por enquanto, e imagino que durante muito tempo, será simplesmente o “Oliveira”, lugar onde estudei entre o 7º e o 12º.
Foram cinco anos que, numa altura em que as aulas começavam em data incerta durante o mês de Outubro, eventualmente sem as disciplinas todas, para mim ainda começaram um dia mais tarde já que na sexta-feira anterior tinha partido o braço e por isso fui poupado pelos meus pais de ir logo no primeiro dia.
É estranho como me parecem tão vivas essas memórias. Lembro-me perfeitamente da primeira aula que tive nessa terça-às 14.30. Foi Geografia e comecei logo com uma falta de atraso porque realmente cheguei atrasado – tinhamos tido um acidente com o carro uns dias antes e tivemos que estar à espera de um taxi para me levar à escola… enfim, um luxo que naturalmente não se repetiu. Mas foi um começo giro já que, qual entrada na primeira classe (da qual não me lembro especificamente do primeiro dia) e dada a minha fragilidade de então (por ter partido o braço) tive o meu pai a levar-me mesmo até à sala de aula numa espécie de passagem de testemunho já que ele também tinha andado um ou dois anos na então Escola Comercial e Industrial (acho que ainda lá estavam essas letras na altura).
Pode ser a minha memória a pregar-me partidas mas quase que aposto que foi na sala 23 que tive a minha primeira aula do 7ºH. Nesse ano a parte do recreio estava em muito mau estado, aquela espécie de alcatrão que fazia de chão estava todo a desfazer-se com grandes buracos lá pelo meio. Não era muito agradável jogar à bola nessas condições e as tabelas de basquete também estavam um bocado maltratadas. Para além disso praticamente não tínhamos espaço de convívio coberto. Quando chovia limitavamo-nos a ficar nas escadas ou numa espécie de corredor alargado e comprido que ligava o edifício principal ao edifício do ginásio e da cantina e que a meio tinha uma casa de banho para rapazes simplesmente degradante.
Correndo o risco de cometer uma grande injustiça diria que o único melhoramento a que assisti das condições da escola durante os cinco anos em que lá estive foi mesmo o alcatroamento do recreio. Uma maravilha, tudo lisinho com as marcações dos campos bem visíveis e com novas tabelas de basquete e balizas (quando também ainda não era preciso estarem presas ao chão).
Mas como disse provavelmente estava a ser injusto. Já não sei avaliar mas diria que eram razoavelmete bons os computadores com que tive as aulas de Técnicas de Programação no 10º e Linguagens de Programação no 11º mesmo se não tinham disco duro, quando eu já tinha um disco de 20Mb e ainda usavam as verdadeiras floppys de 5,25 720kb enquanto eu já tinha as modernaças disquetes de 3,5 1,4Mb.
Não me lembro de grandes eventos dentro da escola mas lembro-me do convívio em frente à escadaria de entrada ao fim do dia, ou das corridas pela rua dr. alberto aguiar + rua das antas abaixo para conseguir apanhar o autocarro a tempo para ir almoçar a casa (isto já no 10ºano) ou as garantidamente 2 viagens diárias durante cinco anos entre a praça das flores e a escola rua do amparo acima e claro lembro-me muito bem de saltar por cima das grades da entrada todos os sábados de manhã para lá ir jogar à bola.
Por isso é que essa escola, para mim, continua a ser a escola Oliveira Martins ou simplesmente o Oliveira que ficava perto do Aurélia, um bocado mais longe do Rainha ou do Herculano… esse era o parque escolar com que tinha afinidade. Desculpem-me mas a mim a Soares dos Reis não me diz muito… conhecia desde a altura em que passava por ela quando vinha do Augusto Gil para casa mas não fazia ideia o que acontecia lá dentro… não era artista, nem “filiado” em nenhuma tribo (punk, rockabilly, metalico, …) era simplesmente um miudo que morava nos subúrbios apesar de passar todo o seu dia no centro da cidade.
Mas rei morto, rei posto. O Oliveira morreu, longa vida para o Soares dos Reis.
(update 16-fev-2011 – através das maravilhas do facebook existe agora um grupo Oliveira Martins, se estiverem particularmente saudosistas ou quiserem só ver se conhecem alguém apareçam nesse grupo)
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