Notas para um passeio Transmontano 4/6

Miranda do Douro – Mogadouro
A barragem do Picote, situada num impressionante estrangulamento do rio, começou a ser constru?da em Agosto de 1954, e começou a funcionar e, Janeiro de 1958; a barragem tem a altura de 100 m e mede no coroamento 92,30 m, sendo a potÊncia dos três geradores da ordem dos 180 MWh.

Na aldeia do Picote situa-se o Barrocal, um bairro construído nos anos 70, de estilo modernista, um exemplo arquitectónico muito conhecido e visitado por estudantes de todas as escolas de arquitectura e objecto destacado nas íltimas “Jornadas Transfronteiriças de Bioconstrução e Arquitectura Tradicional em Trás-os-Montes”

POUSADA
“(…) Encontrei nas arquitecturas das barragens do Alto Douro a mais radical manifestação da Modernidade que até hoje vi em Portugal, a que estava a ser renovada, mesmo antes de se ter manifestado, como aqui, na pujança mais abstracta ou mais plástica. Primeiro a própria barragem, depois os equipamentos t?cnicos e finalmente as áreas residenciais. Todo este sistema se constitui de forma totalmente auto-suficiente. Separa-se ostensivamente dos povoamentos existentes e dos terrenos lavrados, recusando qualquer relação funcional ou formal com essa realidade. Procura terrenos selvagens, agrestes ou pedregosos para sobre eles implantar o seu novo mundo de utopia tecnológica.(…)”
POÇO DE ACESSO
“(…) A colaboração entre arquitectos e engenheiros vai revelar-se uma conquista preciosa pela consciência da importância do rigor, das sínteses eficazes com vista a objectivos preciosos e bem determinados para uns, mas também pela compreensão do valor da arte e da possível compatibilidade com a poética criadora na realização das grandes obras de engenharia.
(…) A mim emociona-me particularmente todo o conjunto de Picote, das instalações técnicas da barragem, ao novo aldeamento com igreja, Centro Comercial, Escola, Casas dos operários Casas dos engenheiros, Pousada, T?nis, Piscina, etc. Arquitectura geométrica, modulada, afirmativa, de forte presença visual. Mas sempre articulada com as linhas da paisagem, numa sabedoria de implantação atenta ás formas naturais que parece directamente herdada da tradição helenística, como se fazia na construção de cidades como o Porto. (…)?