A Bolsa – notas de leitura 3

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“Num sentido amplo, a especulação bolsista será aquela actividade comercial que visa a obtenção de um ganho jogando na diferença entre os preços de compra e de venda de um artigo cotado na bolsa. Esta especulação pode subdividir-se em arbitragem (ou arbítrio de cãmbios) – aproveitamento do diferencial de preços geográfico – e em especulação lato sensu, enquanto aproveitamento do diferencial de preços temporal.”
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“Por maior que seja o seu conhecimento da situação presente, o especulador nunca poderá conhecer e controlar todos os incontáveis factores que influem sobre a tendência para comprar ou vender uma determinada mercadoria ou um determinado título. Deste modeo, intervirá sempre algum factor sorte (como num jogo de azar) na tentativa de tirar proveito de probabilidade futuras – factor este que a especulação bolsista partilha com qualquer outra forma de comércio.”
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“Finalmente, o especulador que compra estoques cerealíferos para os encaminhar para o mercado quando o seu preço tiver aumentado, tem de «imobilizar» capitais significativos nesses estoques, capitais de que só poderá dispor uma vez vendidos os cereais. É, pois, forçoso que ele seja um homem com grandes posses, donde resulta ser muito reduzido o círculo de pessoas que podem participar nesta especulação. Não admira, assim, que estes especuladores corram grandes riscos. Efectivamente, dados o estaoque limitado de mercadorias e o círculo reduzido de pessoas envolvidas na actividade especulativa, é muito aleatório e quando eles possam estar certos de encontrar um comprador para determinadas quantidades da mercadoria armazenada; a esta incerteza haverá que acrescentar ainda as bruscas flutuações de preços, que não deixarão de ocorrer sempre que, dada a limitaçãos dos estoques, alternarem grandes compras por grosso e vendas em grande quantidade. Para que esta situação possa ser remediada, são indispensáveis três condições: Primeira: ser possível especular sem que se seja detentor de avultados capitais próprios. Segunda: possibilitar que a mesma quantidade de mercadorias ou de títulos seja utilizada não apenhas numa, mas em várias transacções especulativas. Terceira: não só poder, assim, comprar especulando numa esperada subida de preços para vender depois mais caro, mas também poder vender especulando numa esperada descida dos preços para comprar depois mais barato.
Um tipo de transação, que é hoje a forma de especulação predominante nas bolsas mais desenvolvidas do mundo, reúne de uma maneira tecnicamente perfeita estas três condições: as operações a prazo (ou a termo)”
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“Seja como for, mesmo que a operação a prazo seja uma especulação sobre uma diferença de preços, comporta, no entanto, um objectivo comercial bem real e bem sério: a vontade de obter uma garantia contra o risco de uma flutuação de preços, pelo que a omissão dessa garantia, dada pela realização da operação a prazo, seria tão irresponsável como não tomar provid~encias contra riscos de incêndio. A este respeito, poderíamos multiplicar à vontade os exemplos. O certo é que nem a forma exterior de negociação da operação a prazo, nem a sua realização permitem decidir sobre a sua natureza. Só o motivo económico interno da transacção é que o permitirá, embora ele seja muito difícil de detectar numa operação a prazo concreta. A transição de uma transacção com fins comerciais para uma pura operação especulativa de agiotagem é muito fluida, é progressiva e imperceptível.”


Nome: A Bolsa
Autor:  Max Weber
Editora: Relógio D’Água

por Vitor Silva



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