A Bolsa – notas de leitura 2

pag.70
“Nos nossos dias, o endividamente de um Estado já não representa, em si mesmo, uma desgraça, um sinal de má administração ou de escassez de meios.(…)É por isso correcto lançar um imposto também sobre os descendentes, o que acontece sempre qe o dinheiro é obtido por empréstimo, rende juros e é reembolsado pouco a pouco, a partir dos impostos, no decurso de períodos mais longos. A carga fiscal é, assim, distribuída pelo presente e pelo futuro.”
pag.73
“A impessoalidade das relações entre aquele que tem o usufruto de juros e o que está sujeito a estes é a característica principal destes actuais deveres tributários [obrigações]. É por este motivo que se fala do domínio do capital, e não do domínio dos capitalistas.”
pag.74
“Com os dividendos temos, assim, a segunda grande categoria de tributos a pagar sobre o capital. (…) As acções e outros valores análogos (…) diferenciam-se claramente das obrigações (…) que representam direitos dos credores. Aqueles, em contrapartida, significam direitos de participação numa empresa, quotas-partes de uma empresa.”
pag.79
“Tais são as formas principais dos produtos característicos que são objecto de transacções nas bolsas de valores. Como se vê, trata-se de direitos reconhecidos à cobrança de um tributo, e a organização moderna da economia leva à crescente difusão destes produtos e à sua entrada em circulação.”
pag.80
“A existência de juros e de dividendos, em si mesma, não é mais do que uma consequência da moderna economia de mercado, assente na particularidade de cada um viver continuamente do produto do trabalho dos outros e de ele próprio trabalhar para a satisfação das necessidades de outrem.”
pag.81
“É simplesmente humano ele [empresário] pensar que o produto que fabrica seja o seu produto, que o lucro que aufere seja o seu lucro, que a fábrica seja a sua fábrica; e, sendo ele um homem livre, que ninguém, nem mesmo o Estado, tenha o direito de se intrometer nos seus negócios. Na realidade, o seu produto contém apenas uma fracção mínima do valor por ele criado e é a comunidade (económica) que lhe fornece a mão-de-obra de que ele necessita e que, ao gerar a procura pelos produtos que ele encaminha para o mercado, lhe atribui a posição que ele ocupa no processo produtivo, a cujas exigências ele deverá obedecer se quiser ganhar alguma coisa.”
pag.96
“(…) não existem na bolsa transacções que, em razão da sua forma, seja em si mesmas «sérias» ou «pouco sérias», mas apenas homens de negócios sérios ou pouco sérios que se servem destas formas. A bolsa é uma questão de pessoas.”


Nome: A Bolsa
Autor:  Max Weber
Editora: Relógio D’Água

por Vitor Silva



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