Ai que vão cortar mais umas arvorezinhas

Este poderá ter sido o pensamento caricatural com que muitas pessoas leram a intervenção do Nuno Quental no seu post “Árvores afastadas para não entrar no prédio“. Acompanhado talvez do pensamento “estes também só aparecem quando se fala de árvores”, o que não sendo totalmente verdade não deixaria no entanto de ser aceitável, tal como os economistas falam de economia, os futebolistas de futebol, os arquitectos de arquitectura, naturalmente os ambientalistas falam de ambiente… é natural. Mas para mim a questão que o Nuno Quental mostrou nem é tanto uma questão de ambiente mas sim:

  • – mau planeamento – quem plantou ali aquelas árvores sabia o tamanho que elas iriam ter e se era adequado aos eventuais planos de loteamento já existentes?
  • – má organização – ou ao contrário, se ainda não havia planos de loteamento quando as árvores foram plantadas, será que quem definiu esses lotes incluiu no seu desenho o espaço previsivel que as árvores poderiam ocupar?
  • – falta de visão – o promotor imobiliário que, provavelmente, solicitou o projecto ao arquitecto não percebeu que as árvores como estão poderiam servir como elemento enriquecedor do projecto. os arquitectos e engenheiros que participaram no projecto também não o conseguiram ver? ou não conseguiram vender essa ideia ao promotor?
  • – falta de vontade – ou então todos viram o que lá estava mas o que interessa mesmo é maximizar a área de construção e minimizar o potencial de conflitos que podem surgir quando apresentamos propostas fora do habitual?
  • – falta de intervenção pública – e os organismos públicos que tiveram de aprovar este projecto também não tinham nada a dizer?

Em Damião de Góis Em Damião de Góis
E depois de ver as fotos… porque não se construiu no alinhamento do rés-do-chão? E mais algumas questões:

  • – Que permissão teve o construtor para danificar as árvores? Ficou quantificado o que poderia estragar?
  • – Foram contratadas pessoas experientes para cortar os ramos necessários para a construção ou foi tudo a eito como por vezes vemos?
  • – Quanto vai custar à Câmara Municipal (em dinheiro sim) manter os ramos das árvores (que têm a tendência aborrecida para voltar a crescer) a uma distância segura do prédio agora construído?
  • – Que tipo de fiscalização a nível de património ambiental está prevista nas nossas leis? Quem valida se o dano provocado no património ambiental é o previsto ou se ultrapassou o que tinha sido considerado aceitável? (De notar que esta é uma pergunta cuja resposta serve também para o Palácio)

Em Damião de Góis

por Vitor Silva



One Comment

  1. […] praticamente um ano reparei nesta construção em Damião de Gois e questionei a forma como o prédio estava a ser construído, principalmente no que dizia respeito […]

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