Palácio – Alguma contextualização

Independentemente de ter uma posição favorável ou desfavorável em relação a qualquer tipo de intervenção no Palácio ou em relação a esta proposta concreta queria só deixar algum enquadramento em relação a este assunto.

Esta ideia de ter no Porto uma infraestrutura capaz de albergar grandes congressos não é propriamente uma ideia peregrina da CMP. Provavelmente estão a seguir a recomendação do Turismo de Portugal que em 2007 através do PENT (Plano Estratégico Nacional de Turismo) propõe (pag.77) “desenvolver infra-estrutura para Congressos de grande dimensão (+1000 pessoas) na cidade do Porto.”

A importância deste tipo de turismo de negócios é que fazer congressos é mais do que trazer turistas. É trazer dois tipos de pessoas:

  • – as que aproveitam e identificam oportunidades para fazer negócios na nossa cidade
  • – as que gostam e decidem voltar posteriormente com a família ou pelo menos contar aos amigos que gostaram.

Mas o Porto precisa de um centro de congressos? Algumas dúvidas se levantam aqui:

  • – a primeira é inevitável e não estou a ver que alguma vez tenha resposta… O que é o Porto? Concelho, AMP, Distrito?
  • – depois, em que ponto está o Porto comparativamente a outros destinos de congressos?
  • – finalmente, que capacidade pode ter o Porto para, tendo oferta a nível de infraestruturas, conseguir ter esses espaços com os ditos congressos e com gente.

1. Saber o que é o Porto é importante para podermos sugerir a utilização de outros equipamentos. O Porto-cidade tem a Alfândega (1200 pessoas), Fundação Eugénio de Almeida (700), Porto Palácio (600). Se considerarmos o Porto como a cidade que o Tiago preconiza (Porto – Gaia – Matosinhos) temos CC Matosinhos (1000), Exponor (1000). Na Maia ainda temos o Fórum Maia (740). Parece-me por isso aceitável dizer que o Porto tem uma oferta razoável para congressos até 1200 pessoas. Acima dos 1200, temos o Coliseu (3000) que não é uma estrutura preparada para congressos, e que normalmente está alocada a outro tipo de eventos, e o Pavilhão Rosa Mota com 4600, mas que também não me parece ter as melhores condições nem a flexibilidade adequada (normalmente convém ter outras salas para reuniões paralelas, grupos de trabalho, etc). A única verdadeira opção acima dos 1200 participantes é o Europarque, em… Santa Maria da Feira. Daí a pergunta… o que é o Porto.

2. No que diz respeito a saber onde já estamos a nivel de “cidade de congressos” podemos sempre olhar para os dados da International Congress & Conventions Association e ficamos a saber que em 2008 Lisboa estava em nº10 (entre Seul e Copenhaga) e o Porto em 39º tendo-se notado já um aumento de 2005 para 2009 de 16 para 38 Congressos Internacionais Admitidos segundo os critérios da ICC. Não faço ideia se isso quer dizer que já esgotamos o potencial da capacidade instalada.

3. Finalmente em relação à nossa capacidade de conseguir ter esses espaços com os ditos congressos e com gente recorro às palavras de Alberto Castro no evento Inner City.
“Temos um problema, de facto, no turismo de congressos (…) [em que temos a concorrência de] Lisboa e todas as capitais europeias com ligações directas as EUA. [sobre o Centro de Congressos da Alfândega] como sabem aquilo tem um pequeno centro de congressos. Nós temos perdido sucessivamente pequenos congressos, pequenos à escala internacional – estamos a falar de mil e tal pessoas – (…) porque não temos uma ligação directa aos EUA. O último congresso que se perdeu, perdeu-se para Atenas. (…) Nós temos um problema, e por isso é que a questão do Aeroporto Sá Carneiro é tão importante para esta região. (…)Precisamos de ter capacidade para manter no Porto ligações internacionais sob pena de nunca mais estarmos no mapa de turismo de congressos por mais centros de congressos que nós façamos. (…) Não adianta nada termos essas infraestruturas se não tivermos maneira de fazer chegar cá as pessoas.”
Aqui também não sei se este óbice já foi ultrapassado.

Nota: Muitos dos dados aqui apresentados foram-me indicados por outras pessoas. Não os verifiquei (até porque nem sei onde o poderia fazer) nem tentei obter alguma opinião contraditória, deixo isso para os profissionais da informação 😀

por Vitor Silva



Leave a Reply