Conferência "Novos Triângulos"

Notas sobre a Conferência “Novos Triângulos” – Ciência-Autarquia-Academia realizada na BMAG, 31-out-2008 com a presença de Nuno Crato (ISEG), Marques dos Santos (UP), Rui Rio (CMP) e Luis Portela (BIAL).

Não consegui chegar a horas daí que não tenha tido a possibilidade de ouvir a intervenção de Nuno Crato.
Em relação à intervenção do prof. José Carlos Marques dos Santos, reitor da Universidade do Porto (UP), ela centrou-se no impacto da Universidade na região em que se insere.
Este impacto revela-se em quatro níveis: economia, fiscal, social, cultural.
De acordo com um estudo no âmbito de uma tese de mestrado de Rúben Fernandes o efeito multiplicador da presença da Universidade na região (e aqui fiquei sem saber se era só o concelho ou se abrangia uma área maior) é de 1.45 o que compara com a média europeia de 1.35 e do valor de 1.6 da Universidade de Berkley.
(nota: procurei no repositório da UP esta tese mas não consegui encontrar nenhum referência)
O maior impacto é dos estudantes com cerca de 400€/mês.
A UP tem actualmente cerca de 20.000 estudantes com aproximadamente 2.000 estudantes estrangeiros
Nos últimos anos a UP gerou cerca de 30 spin-off
Em relação a patentes tem havido um crescimento de 3x/4x nos últimos anos (se bem que compara com valores iniciais pequenos)
Foi referido como sendo uma das responsabilidades da Universidade a capacidade de preparar líderes para as empresas
Também a questão do ASC e da necessidade de ligações directas foi considerada relevante para atrair algum tipo de empresas
A Universidade também tem um papel na área de intervenção a nivel político nomeadamente: debate; actuar como elemento aglutinador dos diferentes agentes
A questão da descentralização regional foi também abordada ao citar a postura do estado central que dá dinheiro uma vez por ano e desaparece; e na comparação com a galiza em que se nota que relacionamento institucional não é entre iguais nomedamente na capacidade de “put the money where your mouth is
Dado o papel que a Universidade tem tido foi referido que deveria ter um tratamento diferenciado.
Uma alfinetada ao referir a quantidade de universidades que temos: “temos o dobro das universidades que deveríamos ter”
Na parte de perguntas/respostas e a propósito do tema inovação e de que forma a Universidade estava a inovar foi referido o seguinte:

  • Mudança do modelo de governação da UP
  • Aposta no modelo fundacional
  • Transformar a UP numa Universidade de Investigação
  • Projecto para estar entre as 100 melhores em 2011 (ver também: Reitor da UP: “Estamos longe dos índices internacionais e ainda temos de ‘pedalar’ muito”)
  • A UP representa 22% da publicação científica nacional
  • Peso das verbas do Estado Central no orçamente da UP é cada vez menor: actualmente cerca de 50% (incluindo como receitas próprias as propinas, os financiamentos externos, …)
  • A criação de um gabinete unico na universidade para reencaminhar as empresas que procuram apoio na área de investigação da universidade – projecto UPin

A intervenção de Rui Rio centrou-se na exposição de todo o pensamento subjacente ao projecto “Porto, Cidade de Ciência”.
De forma a enquadrar essa ideia Rui Rio fez um pequeno tour pelo que é o seu pensamento da cidade de como a gerir.

  • resolução de problemas conjunturais => pelo que percebi, foi assumido que não há capacidade para atacar estes problemas (seja financeira, seja tempo)
  • resolução de estrangulamentos estruturais => habitação social (câmara tem 20% dos inquilinos) => recuperação de bairros; toxicodependencia => porto feliz e como foi cancelado pelo estado
  • novas estratégia de competitividade => reabilitação da baixa (sru); mobilidade (metro); turismo (porque é uma área em que a câmara consegue mais facilmente intervir e criar condições para o desenvolvimento); ciência
  • gestão da normalidade => coisas que não estando a cem porcento conseguem ter uma gestão normal no dia-a-dia (educação; animação da cidade)

A ideia da marca “Porto, Cidade de Ciência” ao procurar uma alternativa de á imagem tradicional do Porto como anti-Lisboa, a conotação com o futebol, e até aquilo que Rui Rio considerou de falhanço que foi a Porto 2001 => “se a porto 2001 tivesse sido um sucesso estrondoso será que eu tinha ganho?”
Esta ideia tenta também criar um factor de competitividade ligado ao saber até como contraponto ao modelo actual de desenvolvimento superficial e efémero.
Uma das formas de apoio deste programa é a atribuição de 5% das receitas próprias de publicidade o que se traduz em cerca de 100 mil euros/ano.
Na resposta a uma pergunta sobre inovação Rui Rio referiu as seguintes medidas / projectos:

  • agenda cultural da JMP
  • gestão de activos => penso que a referir-se às parcerias publico-privadas na exploração de pavilhão rosa mota, rivoli, ferreira borges, “oceanário” do porto
  • serviços da autarquia – gestão da fiscalização
  • manutenção => sem especificar

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