Participação na Democracia

Há uns tempos vi uma definição curiosa de democracia que sugeria que era a forma que os cidadãos tinham descoberto para só terem que pensar (n)a coisa pública uma vez em cada quatro anos.

Esta perspectiva (redutora naturalmente) pode ser vista de dois lados radicalmente opostos:
– por um lado os cidadãos confiam plenamente nos políticos a quem atribuíram o privilégio de gerir a sua comunidade e portanto podem viver os quatro anos de mandato sem grandes sobressaltos tendo em conta aquilo que foi apresentado nas campanhas, aquilo que o cidadão assumiu como verdadeiro e aquela que é a prática diária dos eleitos;
– do outro lado está o simples laxismo do cidadão que abandona o seu direito e dever de intervenção na comunidade quando sente que algo não está a correr como devia ou como acha que devia.

A minha perspectiva egocêntrica é que eu gostaria de caminhar para um tempo em que pudesse adoptar a perspectiva do laxista porque confiava naquilo que os eleitos estavam a fazer pela minha comunidade (local, regional , nacional).

Mas não é aí que estamos.
Tendo em conta a prática dos nossos políticos que, provavelmente injustamente, é a mais divulgada com casos como dos autarcas de Felgueiras, Marco de Canaveses, Gondomar ou políticos saltitões como Pina Moura ou Armando Vara, juntamente com um jornalismo que, na minha opinião assumidamente pouco conhecedora, de quem só lê o Expresso, vê alguns minutos de telejornais e saltita pelos sites dos principais jornais diários se transformou num simples debitador de sound bites (crime anteriormente atribuído aos políticos) interessa-me pensar duas questões fundamentais:
– que perguntas fazem sentido fazer aos politicos antes de eles se candidatarem?
– que meios temos para os questionar construtivamente durante os seus mandatos?

Mais notas sobre estes temas em futuros posts

por Vitor Silva



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