Términos excluyentes: Usabilidad y política en administraciones y grandes empresas

http://www.alzado.org/articulo.php?id_art=178
frases interessantes:
“-La usabilidad será cultura general y se darán por supuestas. Serán objetivos implícitos a cualquier desarrollo, parámetros diferenciales de calidad y generadores de ventajas competitivas.”
“-Diseño gráfico no es diseño de interfaz: Existirá un perfil de diseñadores de interfaz formados, especializados y profesionalizados”
“-La accesibilidad se dará por supuesta y no se confundirá con agrandar el tamaño de letra.”

Deus Face à Ciência

“…poderá a ciência por si própria negar a existência de Deus? Finalmente, é para responder a esta questão que este livro foi escrito.” É assim que se nos apresenta este “Deus face à ciência”, objectivo ambicioso mas no essencial falhado, se calhar também porque quem escreveu esse texto publicitário não percebeu bem o que o livro era ou se calhar porque também não é uma pergunta que tenha que ser respondida pela ciência.
Este livro parece-me sobretudo uma história do pensamento científico da igreja católica ao longo dos séculos com uma pequena e interessante anotação em relação a religiões orientais.

E é uma relação curiosa esta que se tem mantido entre a igreja e a ciência ao longo dos tempos, com a ciência a “obrigar” sistematicamente teólogos e crentes a procurar explicações para fenómenos que passam a ser explicáveis pelas leis da matemática e afins.
O livro começa com a história do processo de Galileu com uma interessante desmistificação da pessoa. Sobre o mesmo diz “… Galileu estava «cientificamente» errado, ao mesmo tempo que tinha razão no debate «filosófico», tanto no que diz respeito ao heliocentrismo como sobre a atitude da igreja”.

A atitude que se refere é a de negação sucessiva de factos através da conjectura de explicações mais ou menos literais quer da Bíblia quer dos testamentos numa postura que se calhar hoje nos parece mais familiar quando olhamos para fundamentalistas (que não só os islâmicos).
Esta forma de resolver as questões científicas “fez escola” e pode ser observada ao longo dos diferentes capítulos que abordam as questões da criação do universo (a eterna questão de onde vimos, para onde vamos, que tema mais religioso do que este que nos faz pensar na transcendência); as componentes da matéria (como tudo era fácil quando a palavra átomo tinha um significado literal); a idade da terra (e a contradição clara com os 4000 anos que a Bíblia propõe); e o aparecimento da vida (maior prova da existência de Deus… ou não agora nos dias da clonagem?).

E se esta primeira fase do livro nos leva pela história das relações entre a religião (essencialmente católica mas com uns pozinhos de outras) e a ciência, nos últimos capítulos é feita a análise comparada da evolução cientifica em diferentes partes do mundo: Ocidente (Europa e depois América da Norte), Índia e China. O objectivo é perceber porque razão hoje em dia o ocidente é normalmente considerado como o lugar onde a ciência mais prosperou. São dadas pistas interessantes através da influência da religião na sociedade em que as religiões orientais apelam mais ao conhecimento do próprio homem e portanto uma reflexão interior enquanto “para o judaico-cristão, Deus é o criador do Universo e os seus ensinamentos influem sobre o comportamento humano (…) Ao descrever a aventura humana como uma epopeia guiada pela mão de Deus, a Bíblia faz a ponte entre as religiões que estão voltadas para o cosmos (e as questões que põem sobre as origens) e as que estão viradas para o comportamento do homem no meio da sociedade.”

De qualquer forma lembra-nos ao mesmo tempo de afirmações célebres como “a ciência abafa a simplicidade evangélica” dita por Santo António ou “procuremos a vida antes da ciência”, Santo Ambrósio (que se calhar, digo eu, explica o quase nulo interesse pela ciência em Portugal) para concluir que acima de tudo questões económicas justificam o desenvolvimento da ciência no Ocidente.

Deus Face à Ciência
Claude Allègre

No Logo – Sem espaço, sem escolha, sem emprego, sem marca

Este livro apanhou-me de surpresa, comprei-o por sugestão de um colega e porque queria confirmar se não se tratava de mais um livro escrito por alguém com preconceitos contra as grandes corporações e cheguei à conclusão que afinal eu é que estava cheio de preconceitos. Acho que, tendo em conta os capítulos iniciais do livro, posso ser um bocadinho desculpado.

Esta fase inicial é quase um livro de história da gestão empresarial dos últimos 50 anos descrevendo a forma como muitas multinacionais se procuraram “transcender” passando de empresas de produtos para empresas de marcas. Conseguem assim concentrar-se não só naquilo que pelos vistos fazem melhor (marketing) como também deixarem de se preocupar com problemas potenciais como construção de fábricas, emprego de pessoal, etc.
A forma como fazem essa transição, através de fortissimos investimentos em publicidade, mais ou menos agressiva, seja através do patrocinio de eventos culturais, seja comprando cidades inteiras de forma a transmitir melhor a sua imagem, ou mesmo copiando o estilo das ruas numa atitude “even better than the real thing” torna as marcas tão omnipresentes que se torna dificil encontrar espaços fisicos e virtuais que não estejam de alguma forma relacionados com essas marcas.
A passagem do paradigma empresa de produtos para empresa de marcas não é por si só perniciosa ou criticável e era isso que ao inicio me estava a deixar um bocado “descrente” no conteúdo do livro, o que é criticável é a forma como essas empresas rapidamente adoptam posições socialmente inaceitáveis e ambíguas.

Após a apresentação do percurso evolutivo das grandes multinacionais, é feita uma reflexão sobre o poder que estas grandes empresas têm ao nível do normal fluir de informação e os problemas éticos levantados pela criação de grandes conglomerados empresariais que, por exemplo controlam um processo produtivo desde a extracção até a venda, ou a produção de conteúdos mediáticos desde os eventos até à publicação. Esta é uma situação potencializadora de conflitos éticos que levam à pior forma de censura, a auto-censura, já que uma empresa não irá concorrer contra outra do mesmo grupo assim como um jornalista terá certamente uma maior dificuldade em fazer uma peça que de alguma forma afecte a empresa ou grupo para o qual trabalha.

O problema do emprego é também focado devido à forma como foi afectado pela busca incessante de preços mais baixos e pela estratégia de desresponsabilização social que as empresas procuravam. Esta estratégia, como o objectivo de permitir focalizar as empresas no seu (novo) core business, o marketing, assenta no aumento do outsourcing e subcontratação, eliminando assim um valor elevado de custos, assim como cortando pela raiz eventuais problemas criados por sindicatos ou trabalhadores descontentes. Só que, em sistemas dinâmicos, a eliminação de um problema leva normalmente ao aparecimento de outros, e o que se verifica é que os chavões económicos de que a deslocalização de unidades produtivas para países mais atrasados e com menores custos de mão-de-obra irá eventualmente fazer aumentar o poder de compra dessas populações, desenvolvendo assim o seu, país consegue, isso sim, fazer renascer nesses países condições de trabalho que não se viam no mundo ocidental desde o inicio do século XX, através das péssimas condições de trabalho, com salários por vezes abaixo do custo de subsistência (há empresas que só aceitam estabelecer-se num país se poderem pagar menos que o salário minimo), ou pela recusa de direitos como o de associação (que por acaso faz parte da declaração de direitos do homem), sempre numa busca pelo custo mais baixo de produção. E dado que já se passou dos tigres asiáticos, para a américa central, para as ilhas do pacífico e para a china quem sabe (digo eu) quando chega a hora da áfrica entrar neste jogo?
A questão da ambiguidade de actuações verifica-se quando empresas que conseguem banir produtos de supermercados porque não se enquadram na sua visão do que deve ser um produto familiar ou que obrigam artistas a mudar os seus trabalhos de forma a não ferir susceptibilidades e que têm volumes de vendas superiores ao pib de muitos países, não se esforcem realmente por obrigar as empresas que subcontratam a oferecer melhores condições áqueles que, indirectamente, são os seus empregados.

Todos estes pontos, bem como as formas que muitos dos chamados militantes anti-globalização tem encontrado para tentar combater estas situações são descritos de uma forma exaustiva, com bastantes referências a outras fontes que vale a pena explorar. É um livro, na minha opinião, que em vez de te tentar convencer que esta ou aquela forma de agir ou de pensar as coisas em abstracto é mais ou menos aceitável, te conduz, através de factos concretos à formação de uma opinião.

No Logo – O Poder das Marcas
Naomi Klein
Relógio D’Água

Publicado por vitorsilva em outubro 8, 2003 12:49 AM

Israel, Palestina – Verdades Sobre um Conflito

Comentário escrito inicialmente em 28-Set-2002

Nesta altura em que os EUA fazem da questão Iraque a panaceia para todos os males do mundo já mais do que uma pessoa alertou para a maior importância da resolução da questão israelo-palestiniana. É por isso uma boa altura para ler o livro “Israel, Palestina – Verdades sobre um Conflito”. Este livro, escrito pelo redactor-chefe do Le Monde Diplomatique pretende dar uma visão imparcial história deste conflito que, afinal, já tem quase um século pois foi em 1917 que o governo inglês, então potência administrante da Palestina, declarou pela primeira vez o seu apoio ao estabelecimento na palestina do povo judeu.
Não posso avaliar da imparcialidade do autor, já que não conheço assim tão bem esta realidade, diria talvez que é tendencialmente pro-palestino mas não anti-israelita. De qualquer forma explica a evolução dos acontecimentos durante o sec. XX sendo por isso um livro essencial a quem quer perceber a base desta guerra aparentemente intermin?vel.
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Design of Everyday Things 2/8

Ch02. The Psychology of Everyday Actions
Já diz a lei de Murphy que se alguma coisa pode correr mal, então isso vai acontecer. O mesmo se aplica quando falamos da utilização de um qualquer objecto (real ou digital), ou seja, se há alguma acção que pode levar a uma utilização errada e por vezes gravosa desse objecto, então temos que ter como adquirido que pelo menos um utilizador neste mundo se vai lembrar de a fazer.
A questão é que normalmente esse utilizador ao fazer essa acção e ao obter o erro vai quase instantaneamente assumir que errou, que era óbvio que aquela acção não era válida e que certamente foi por distracção ou deficiente conhecimento que a executou. Por outras palavras, nunca (ou raramente) questiona se a forma como esse objecto comunica consigo é a mais correcta para o levar a utilizá-lo.
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