Informação Instantânea

Qual a importância do directo, da informação instantânea?

Pode parecer paradoxal mas eu acho que o valor dessa informação é cada vez menor mesmo estando (ou pelo facto de estarmos) nós nestes tempos do twitter em que qualquer acontecimento relevante é divulgado em segundos, em que iphones, pdas e magalhães juntamente com 3Gs e Wifis nos permitem aceder à Rede quase em qualquer sitio e a qualquer hora.

Considerando como procura de conteúdos online o número de utilizadores da internet (2000 > 2008 => 360,985,492 > 1,596,270,108) e partindo do principio que o número de eventos relevantes é sensivelmente o mesmo (estou a partir do principio que o  número de mudanças de governo, terramotos, crises financeiras, etc é basicamente o mesmo ao longo dos tempos) então, e relembrando a Lei da Oferta e da Procura (o preço de qualquer bem ajusta-se para garantir o equilíbrio entre a procura e a oferta  http://www.geocities.com/joaoaldeia/txt/eco240.htm) é inevitável considerar que o valor médio dos conteúdos desceu dramaticamente nos últimos anos.

Quando digo valor tenho noção que essa frase tem duas análises possiveis: valor absoluto e valor relativo. Há coisas que são absolutamente boas… mas na era da abundância em que o mesmo pedaço de conteúdo excelente nos chega por uma variedade imensa de meios, mesmo esse valor se torna relativamente baixo.

Então qual o valor de 4 televisões, 10 rádios, 25 jornalistas, 40 podcasters, 100 twitters e 500 bloggers relatarem o mesmo acontecimento ao mesmo tempo? Pluralidade?… mas com tanta oferta também o ganho marginal em cada nova fonte de informação se torna reduzido…
Para piorar as coisas também aqui temos uma distribuição de recursos ineficiente… quase todos relatam o mesmo, poucos relatam o menos conhecido.

Qual a importância do directo, da informação instântanea? Não será a análise (necessariamente fora do tempo exigido pelos telejornais) e as reportagens daquelas que não ocupam umas 20 páginas tipo a visão (será que alguém consegue ler aquilo? eu tremo só de pensar numa revista com aquela grossura e periodicidade semanal) o futuro de algumas fontes de informação portuguesas?

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