Checklist, o poder das coisas simples

Recomendado por algumas pessoas, a leitura mais recente que concluí foi “O Efeito Checklist – Como Aumentar a Eficácia” de Atul Gawande, um médico que, a julgar pelo livro, não tem medo de experimentar, olhar para o lado e ver o que outras profissões fazem, para aplicar esses conhecimentos na melhoria da sua profissão.
Nele descreve de que forma o conceito checklist apareceu e foi desenvolvido na aviação e como se tornou num instrumento valioso para ela.

Um dos conceitos que não conhecia era o tipo de checklists que se podiam criar, nomeadamente a checklist do tipo ler-fazer ou então do tipo fazer-confirmar, a primeira a funcionar quase mais como tutorial e a segunda como um lembrete para garantir ao técnico mais experiente que não ficou esquecida nenhuma tarefa.

Parece-me que o principal foco do livro, se bem que centrado numa ferramenta específica, tem mais a ver com a forma como capturamos o conhecimento que vamos adquirindo e como criamos condições para que em situações futuras ele seja efectivamente usado.
Até pode haver outras ferramentas que garantam isto, mas de facto a checklist com o seu formato aparentemente simples parece ser bastante apropriada para diferentes cenários (aviação, medicina, construção civil, analistas financeiros, etc.)
Também me pareceu importante a ideia de como as coisas simples, ou aparentemente simples, podem ter resultados de grande alcance.

Checklist

Outro exemplo interessante que é apresentado no livro tem a ver com a forma como é feita a gestão de grande projectos de construção de arranha-céus, em que há diferentes equipas envolvidas, com focos bastante diferentes, mas que no fim têm que convergir.
Neste caso em vez de uma checklist de tarefas concretas existe sim uma checklist de tarefas de comunicação onde se especifica quem fala com quem e quem partilha que informação com quem, desta forma tenta-se garantir que não se passa de uma fase para a outra sem que os responsáveis das diferentes áreas do projecto avaliem entre si o que foi feito.

Fora do âmbito deste livro ficaram 2 temas que acho que estão relacionados, nomeadamente a criatividade e a complexidade.
Por um lado será que pensarmos em formato checklist limita de alguma forma o processo criativo ou liberta-nos da tensão de ter que pensar sempre em tudo porque sabemos que depois vamos ter uma checklist para validar os cenários obrigatórios a que temos que dar resposta.

E por outro lado se nós precisamos de checklists para lidar com a complexidade será que o problema de base não será antes a própria complexidade?

(imagem retirada de http://www.flickr.com/photos/johnbullas/2595524521/sizes/l/in/photostream/)

por Vitor Silva



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