Como implementar uma cultura de utilização de dados publicos de organismos locais

Aqui ficam umas notas sobre como iniciar um processo de criação de uma cultura de utilização de dados publicos de organismos locais através da colaboração entre estado, empresas e cidadãos.
(nota: baseado num email que enviei a um responsavel de uma entidade publica)

Algum contexto primeiro
Nos últimos anos tenho acompanhado um pouco a questão dos dados públicos (open data e open gov) e tenho escrito alguma coisa sobre isso (http://osmeusapontamentos.com/index.php/tag/open-data) mas de uma forma rápida diria que a minha posição em relação a isso resume-se a estes pontos
– acho que os dados recolhidos por entidades publicas deveriam ser públicos, disponiveis sem encargos, em formatos abertos e automatizáveis;
– percebo que essa não é a cultura portuguesa e de grande parte das instituições públicas portuguesas pelo que por enquanto contento-me com pequenos passos que sejam dados nesse sentido;
– acredito que no longo prazo, para algumas coisas, as intituições públicas não terão que disponibilizar aplicações que utilizam os dados que recolheram porque, sendo esses dados publicos, alguém (empresas, universidades, cidadãos …) poderá fazer esse trabalho;
– e acho que para caminharmos neste sentido não só os cidadãos têm que mostrar interesse nessa informação mas também os programadores e designers têm que criar casos práticos do que poderia ser feito se determinada informação fosse pública.
Por isso é que participei, com diferentes niveis de esforço, nos projectos despesapublica.com (despesapublica.com) e democratica (https://demo.cratica.org/)
Penso que são dois exemplos de como utilizar informação pública para criar novas aplicações que trazem valor para o cidadão. (ouvir também em http://podcast.zwame.pt/1210/podcast/showcasept/showcasept24-vitor-silva-despesapublica-com/)

Objectivo Final
Como disse em cima acho que no longo prazo, pelo menos para algum tipo de aplicações, as organizações públicas não terão elas próprias que desenvolver as aplicações que usam dados públicos, seja por falta de recursos, seja pela dificuldade em perceber os use-cases que os cidadãos pretendem ver implementados.
Assim a ideia de fundo é abrir toda a informação. Disponibiliza-la graciosamente em formatos abertos e automatizáveis.

Como Concretizar
Como tudo isto levanta novas questões, quer para as entidades públicas, quer para os cidadãos, a forma que me parece que poderá resultar melhor para conseguirmos o objectivo de fornecer melhores serviços aos cidadãos através do uso de dados públicos é começar com alguma(s) sessões mais técnicas com a participação de designers e developers onde se trabalhasse em cima de dados que a [ENTIDADEPUBLICA] disponibilizaria.
Aliás esta sessão poderia até ser precedida de uma espécie de brainstorming em que interessados poderiam sugerir projectos para os quais a [ENTIDADEPUBLICA] verificaria a disponibilidade de informação. A ideia seria primeiro perceber quais são os dados mais “apetecíveis” para depois se confrontar com a exequibilidade de obter esses dados. Desta forma quando tivessemos sessões técnicas já teriamos dados disponiveis para trabalhar.
Este ponto é importante na medida em que a obtenção de dados é um dos factores mais criticos para estes projectos na medida em que não estando facilmente disponiveis criam uma entropia suficientemente grande para não se conseguir atingir uma velocidade de desenvolvimento suficiente para manter as pessoas motivadas nestes projectos.

Eventuais Parcerias
Este tema da exploração da informação pública poderá servir de estimulo para a criação de várias sinergias por exemplo ao nivel da inovação, criatividade e também cidadania. Nesse sentido parece-me um caminho interessante a criação de parcerias seja com empresas locais, com associações ou grupos colaborativos e naturalmente as instituições de ensino (universidades, ou até escolas que tenham cursos tecnológicos)

por Vitor Silva



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