1 pé no Porto e outro em Braga

A pedido do Miguel que tem feito um trabalho excelente na divulgação da “cena ciclista urbana” do Porto fiz o relato da minha utilização diária da bicicleta. Como provavelmente ele não vai publicar tudo, porque é um texto gigante, aqui fica o relato integral
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Motivado pelo Miguel, já há uns tempos que incluí a bicicleta no meu mix de meios de transporte para as deslocações diárias casa-trabalho.
Essa motivação teve recentemente uma ajudinha extra pelo facto de ter ficado um mês sem carta e estar agora há 3 semanas sem carro, resultado de uma forte batidela que no essencial deve ter deixado o carro em estado de ir para o ferro-velho (pelo menos deve ser isso que a seguradora me vai propor).

Como moro no Porto e trabalho em Braga e não sou ciclista profissional o meu commutting-multi-municipal inclui para além da bicicleta a viagem de comboio entre s.bento e braga, uma linha com uns comboios bastante bons mas com uns tempos de viagem que não fazem sentido nenhum (o percurso mais rápido dura 50 minutos e só há 2 horários em que isso acontece sendo que normalmente demora 1h10m)

Os percursos de e para as estações são ligeiramente diferentes de manhã e tarde.
Como moro no marquês e vou apanhar o comboio a s. bento, de manhã opto pelo caminho mais rápido, sem grandes preocupações se é o percurso mais agradável ou simpático para as bicicletas, já que nessa altura o que me interessa é sair o mais tarde possível de casa e chegar o mais rápido possível à estação.

Assim e começando no cruzamento de faria guimarães com a joão pedro ribeiro, normalmente opto por descer a faria guimarães em cima do passeio. Normalmente não me cruzo com muitos peões e o passeio é bastante largo para evitar algum encontro mais perigoso com pessoas que possam estar no passeio.
Chegado à rua do paraíso viro à direita para apanhar a Rua de Camões, atiro-me rapidamente para a faixa de bus (acho que nunca me cruzei com um autocarro aí) e vou calmamente embalado pela força da gravidade rua a abaixo, esperando apanhar os semáforos sempre verdes.
A tranquilidade e conforto acaba ao chegar em frente à estação da trindade onde passamos para o desconfortável paralelo. Nesta zona, por volta das 8.00, que é a hora a que passo já há mais carros, pelo que convém ir com atenção até porque os carros aí andam relativamente depressa e muitas vezes atiram-se sem pisca para a direita para entrar na rua dr ricardo jorge.
Eu continuo Aliados abaixo sempre aos pinchos no selim até S.Bento… enfim, uma viagem que aproveita as maravilhas das descidas do Porto.
Apanhando os semáforos sempre verdes e se não houver grandes confusões consigo fazer este percurso em sete minutos o que é excelente. Depois é por a bicileta no comboio e aproveitar a viagem para dormir mais um bocadito.

Em Braga o percurso também é relativamente curto entre a estação e a empresa onde trabalho. Saio na Estação de Braga, subo a Rua dos Caires (um nome com muito potencial para piadas ciclisticas) até à igreja de Maximinos, este bocado é a subir ligeiramente e em asfalto. Depois entro pela Rua Peão da Meia Laranja e Rua Felicissimo Campo (não, não estou a inventar estes nomes) até á rotunda com a Rua cidade do Porto. A empresa onde trabalho fica a 50 metros daí. Este último bocado é em paralelo e a descer o que é excelente para relaxar e não ter que chegar ao trabalho ofegante.

À vinda para casa o percurso em Braga é igual, mas mais cansativo porque sobe mais do que desce e porque o stress de conseguir apanhar o comboio obriga a esquecer qualquer cuidado para não começar a suar.
De volta ao Porto opto por continuar em cima da bicicleta, isto porque embora se possa levar bicicletas para o Metro não acho muito simpático ocupar esse espaço todo em carruagens normalmente bastante cheias, para além disso gastar um euro só para andar 3 paragens parece-me um bocado caro.
E como tudo o que desce tem que subir atiro-me à conquista do desnivel de 130m que separa s.bento do marquês. O ritmo depende da energia que ainda tiver disponivel… ou é um tranquilo passeio pela cidade ou uma mini-aula de spinning cidade acima.

O percurso habitual é um compromisso entre a distância (fazer o caminho inicial seria o mais perto) e a inclinação (se fosse por exemplo por d.joão IV teria uma inclinação menor) e opta essencialmente por ruas com poucos carros… já que vou andar normalmente devagar então mais vale não atrapalhar muito o trânsito.
Começo em sá da bandeira onde ando um pouco, viro para a rua do bonjardim (zona pedonal), passo em frente ao rivoli e continuo pelo bonjardim até um pouco antes da conga onde viro por uma travessa que me leva à rua formosa, aí aproveito os poucos metros que não são a subir deste percurso.
Sigo em frente na rua formosa, passo em frente ao bolhão e viro para cima na rua alexandre braga, contornando o bolhão e indo em direcção à rua de s. catarina. Depois é sempre a subir até ao marquês. Não é um percurso especialmente bonito, a rua de santa catarina a essa hora já tem pouca gente e começa-se a notar o lixo de um dia de trabalho e passado o cruzamento com gonçalo cristovão a rua torna-se numa coisa estranha, uma coisa aparentemente sobredimensionada onde só se nota o asfalto, com uma faixa a subir com alguns carros e duas a descer normalmente vazias.
Ao chegar ao Marquês tudo parece diferente, parece que voltamos a entrar na cidade, muitos autocarros, pessoas no jardim, lojas ainda abertas, carros de um lado para o outro, é um contraste curioso… mas provavelmente induzido pelas endorfinas…

por Vitor Silva



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