Não temos os políticos que merecemos

Parece-me que alguns políticos portuenses andam míopes… não conseguem ver mais além das habituais lógicas partidárias, não conseguem perceber que estamos a entrar noutro tipo de sociedade (ou se não estamos deveríamos estar) em que os cidadãos percebem que têm e podem voltar a recuperar o espaço que lhes pertence a nível de intervenção pública,,, esse espaço que talvez por comodismo deixaram que outros grupos (partidos, empresas) ocupassem.

Vejam-se os exemplos da quinta musas da fontinha ou da escola da fontinha onde há uma dinâmica própria de quem tem um projecto para sitios aos quais o estado (local, central) voltou as costas… seja por falta de recursos, incompetência, inépcia ou inércia.

A miopia vê-se por exemplo quando se desconsidera o empenho de 6000 pessoas para debater um tema relacionado com a cidade.
Qualquer empresa veria como positivo o facto de ter 6000 potenciais contribuidores para o desenvolvimento de uma solução. O PSD, CDS e PS do Porto acham que não… estou a referir-me naturalmente à proposta de referendo sobre a intervenção que vai ser feita nos Jardins do Palácio.

Acho estranho principalmente que o PS, que refere habitualmente a quantidade de pessoas que vai saindo do Porto, não perceba que desta forma ajudou a que mais 6000 pessoas considerem que a cidade ficou menos atractiva porque os nossos representantes preferem não nos dar a possibilidade de discutir a nossa cidade

E o que é mais curioso é que o impacto positivo que a discussão pública, transparente, fundamentada pode ter já foi demonstrado em relação a este mesmo tema aquando da apresentação da primeira proposta.

O facto de termos tido (por portas travessas) acesso a todo o projecto permitiu aos interessados (e não, não são só os partidos os interessados nestas coisas) o seu estudo, contestar aquilo que achavam que era contestável e apresentar as suas propostas de alteração, substituição, melhoramento.
Lembro-me nomeadamente de ouvir nesse debate e em conversas posteriores várias pessoas sugerirem a construção das novas infraestruturas precisamente no sitio onde agora elas estão planeadas, ou seja na parte já impermeabilizada do Palácio.

De qualquer forma não queria concluir sem deixar de destacar a abertura que o arq. Loureiro e o eng. José António Barros demonstraram no debate da primeira versão do projecto.
Aceitaram prontamente e sem reservas apresentar as suas razões em frente a uma audiência de cerca de 70 pessoas, muitas das quais, claramente opositoras ao projecto.
Explicaram o porquê das opções tomadas e ouviram o que lhes foi proposto. Com base nisto (e outros contributos certamente) temos agora uma segunda versão do projecto.

Era altura de os agentes políticos do Porto seguirem esse exemplo, mostrarem o que vai ser feito (mais do que numa exposição em 2 ou 3 páginas da revista camarária), ouvirem os nossos contributos e explicarem porque não são aceitáveis.

Acho que é a isto que se chama democracia participativa… onde todos podemos participar.
Costumam dizer que temos os políticos que merecemos… eu acho que este é um bom exemplo que isso nem sempre é verdade.

por Vitor Silva



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