Nuclear e Barragens

Não tenho duvidas que tudo tem impactos, nomeadamente no que diz respeito à produção de energia.
E que algumas escolhas são políticas, mais do que económicas, no sentido habitual do termo que considera essencialmente fluxos financeiros.
E, claro, nós só escolhemos quando temos alternativas.
Em relação ao nuclear e considerando todos os pros e contras que estão bem ilustrados nesta apresentação (ultima página) de uma sessão do cooltivate (uma espécie de mini-ted que se tem realizado no porto) e em que só falta acrescentar que o mito urbano de que o nuclear representa zero emissões de gases de efeito de estudo (ver estudo do rocky mountain institute sobre isto) tem que ser revisto, dizia, em relação ao nuclear a minha opção é claramente de que não é aceitavel assumir que vamos deixar residuos que vão ser perigosos durante largas centenas de anos enquanto não tivermos esgotado as outras alternativas. Talvez daqui a 30/40 anos quando houver novas centrais (ver apresentação de bill gates sobre investigação no nuclear) com outras caracteristicas possamos seguir por aí.
E qual é a grande alternativa? é a produção de negawatts, uma expressão criada acidentalmente por amory lovins mas que transmite a ideia de que podemos ir buscar mais energia às infraestruturas actuais ou reduzir o seu consumo através da eficiência.
Não tenho aqui referências mas já vi vários estudos que apontam para uma redução até 20% na necessidade de energia do país através da implementação de medidas de melhoria da eficiência energética. De notar ainda que esta opção pode também servir como proposta de valor para alguns negócios, ver por exemplo o “retrofit” do empire state building.
Isto leva-me à questão das barragens em portugal e especificamente às barragens projectadas para o tâmega e para o tua.

  • critica 1: produção de energia – as barragens projectadas pelo plano de barragens vao produzir mais 3% do total de energia. um maior aumento poderia ser conseguido se se procedesse à modernização das infraestruturas actualmente existentes. ler/ouvir intervenção de joão joanaz de melo.
  • critica 2: retenção de água – vários estudos apontam para que a fraca qualidade das águas dessas albufeiras nomeadamente devido ao fenómeno de eutrofização
  • critica 3: valia económica – no caso da barragem do tua o próprio estudo de impacto ambiental refere que a barragem não trás vantagens para a região e que só marginalmente é positiva para o país. ler/ouvir intervenção de nuno castro henriques.
  • critica 4: quanto vale um vale natural? desde cedo que nos habituamos a comparar coisas a partir do seu valor monetário, mas quando não temos esse valor monetário atribuido (como num vale natural) como podemos fazer essa comparação com a opção que nos dão? ler/ouvir intervenção de livia madureira
  • critica 5: justiça e mobilidade – não esquecer, em relação ao tua e á sua linha de comboio, que a zona de tras-os-montes foi já objecto do grande roubo quando nos anos 90 de uma forma ignóbil fecharam a ligação ferroviária até bragança. actualmente temos exemplos bem próximos de como uma infraestutura ferroviaria pode ser estrutura e explorada em beneficio da regiao. não esquecer que bragança é provavelmente a captial de distrito portuguesa mais proxima (geograficamente) de madrid
  • critica 6: condução do processo… agora só falta aqui o cimento.

Escolhas… não são fáceis, e tenho na memória algumas vozes que hoje dizem… “se soubesse que ia ser assim tinha preferido que se tivesse construido a barragem de foz coa”.

por Vitor Silva



One Comment

  1. Leonor Martins wrote:

    Gostaria de agradecer a referência feita ao “Cooltiva-te”, merece que seja divulgado devido à qualidade e diversidade de oradores que por lá têm passado. Relativamente ao tema da energia (não só a nuclear), sou também da opinião que devia haver mais debates e informação à população em geral de forma a que nos possamos impor ou apoiar algum tema com base em argumentos e não em fundamentalismos. Foi, aliás, este o meu objectivo ao promover um debate sobre esta temática.

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