Não sou um defensor da zona Norte

Publicado no Mensageiro a 2-outubro

” A regionalização da zona Norte preocupa-me porque vamos criar uma centralidade no Porto que, admito, seja pior que a do Terreiro do Paço”

**MN: Defende algum modelo de regionalização? **

JG: Quando houve o referendo eu e mais um grupo de amigos criámos um movimento pela região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Entendíamos que naquela altura a regionalização devia ser feita e que Trás-os-Montes e Alto Douro deveria ser uma região. Eu considero que esse modelo ainda é aceitável e que terá que ser bem discutido. Não sou um defensor da zona Norte, isso não sou. A regionalização da zona Norte preocupa-me porque vamos criar uma centralidade no Porto que, admito, seja pior que a do Terreiro do Paço. Tenho mais receio de uma grande região Norte com o Porto a dominar os desígnios de toda esta região, do que de Lisboa a dominar. Em tempo oportuno teremos posições mais definidas, mas eu continuo um defensor da região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

MN: Que papel teria esta cidade nessa região?

JG: Teria uma papel importantíssimo. Bragança é uma cidade que apesar de quase ter sido despromovida como cidade de equilíbrio regional no PROT (Programa Regional de Ordenamento do Território da Região Norte), já recuperou. Mas esteve perdido porque os indicadores não davam para nos compararmos nem a Chaves, nem a Vila Real. Vila Real era uma cidade que se equiparava a Bragança há 20 anos. Hoje estamos a anos luz, até em habitantes, o que quer dizer que alguma coisa falhou. Não só do poder local, mas muito do poder local. O poder local, na minha opinião, não tem sabido aproveitar as oportunidades que surgem, quer do poder central, quer da comunidade. Foi uma cidade que não se desenvolveu, não aumentou significativamente o número de habitantes e não soube aproveitar as oportunidades. Nesse processo, Bragança tinha um papel muito importante, mais que não fosse porque só iria competir com duas cidades, Vila Real e Chaves.

Eu nem sei como contrapor estes argumentos… deixo como contributos para resposta um email que um colega me enviou.

Se houvesse região Norte, o Porto podia fazer pior a Trás-os-Montes do que Lisboa.

Se houvesse região norte com poder executivo no Porto:
– Bragança poderia ser a última capital de distrito a ter uma autoestrada
– A linha do Tua poderia ter sido encerrada na década de 90, eliminando as ligações férreas a Bragança
– Mais tarde poderiam querer destruir a linha do Tua de vez fazendo lá uma barragem irrelevante para produção eléctrica, destruindo assim um património natural e paisagístico de qualidade.
– Haveria um encerramento massivo de urgências e escolas em geral.
– Não haveria qualquer investimento de relevo na região
– Trás-os-Montes teriam a taxa de abastecimento e saneamento de água mais baixa do país (nalguns casos, digna dos anos 50 de um outro país europeu)
– A região perdesse toda e qualquer relevancia política, ao apenas eleger menos de 1,5% dos deputados do país.
– Não haveria qualquer estratégia para desenvolvimento do distrito, impulsionar o crescimento económico e inverter a desertificação e envelhecimento populacional.
– No fundo, Trás os Montes poderia ser a região mais pobre das regiões mais pobres de Portugal.

Sim, ainda bem para Bragança que não existe regionalização. De facto, se “o Porto mandasse”, Bragança poderia estar muito pior…

Podia, claro. Só não sei é como…

por Vitor Silva



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