País Desconhecido #1

Toda a gente sabe que os portugueses são pouco empreendedores, que preferem um mau emprego na função pública do que criarem o seu próprio negócio.
Toda a gente sabe que o empreendedorismo é algo que tem que ser cada vez mais ensinado / divulgado porque de outra forma o país não se vai safar desta crise.
Curiosamente o estudo do INE “O Empreendedorismo em Portugal-Indicadores sobre a Demografia das Empresas – 2004 – 2007” começa assim:

“A aptidão para a criação de novos negócios em Portugal é desde há muito reconhecida.”

E o que isto quer dizer é que:
– Em 2007, iniciaram actividade 167 473 novas
— 458/dia; 19/h; 1 de 3 em 3 minutos
– Serviços são o sector com a maior taxa de natalidade
– Observa-se que, no fim do primeiro ano de vida, mais de 70% das empresas sobrevive e permanece no mercado (…) Do primeiro para o segundo ano, a taxa de sobrevivência do total de empresas decresce consideravelmente (19 p.p.), sendo que, do segundo para o terceiro ano, este decréscimo é significativamente atenuado (6,7 p.p.)

Afinal até parece que somos empreendedores, mas toda a gente sabe que se nos compararmos à Europa somos uma vergonha, aparecemos sempre nos lugares finais em todos os indicadores… ou não… “Portugal foi o país com a terceira maior taxa de natalidade em 2006 (14,2%), de entre os 16 países com informação disponível” (pág.8)

Será que criar empresas quer dizer ser empreendedor? Poderão mecanismos do tipo criar a empresa na hora abrir alguma porta administrativa que permita algum uso não esperado (esquemas contabilísticos fraudulentos ou outros)?

por Vitor Silva



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