Euribor vs Taxa de Juro Implicita

Desde que comecei a pensar em comprar casa que tenho acompanhado a variação de 3 indicadores:

  • Taxa de referencia do banco central europeu;
  • Euribor 6 meses
  • Indicador do INE das taxas de juro implícitas dos contratos de crédito à habitação

Recentemente foram divulgados os dados do INE sobre as taxas de juro nos contratos à habitação com os valores de janeiro-2009.

Aproveitando o facto de ter um arquivo de todos os valores destes indicadores resolvi ver como é que eles ficariam num gráfico e o resultado não foi inesperado.

E o que se pode ver é que apesar de no último mês se ter assistido a uma redução nas taxas de juro implícitas (1) o spread implicito está nos níveis mais altos de sempre desde que este indicador existe.

(1) que reflecte a relação entre os juros totais vencidos no mês de referência e o capital em dívida no início desse mês)
(2) ou seja a diferença entre a taxa de juro implicita e a euribor
O

(clique para ver o gráfico completo desde 1998)
(os valores apresentados são a taxa de referência do bce, a euribor a 6 meses e a taxa implicita dos contratos fixados nos ultimos 3 meses.)

Embora não me pareça que seja da responsabilidade do INE fazer este tipo de interpretações (ver observação que fiz sobre questão relacionada) parece-me que era algo que alguns jornalistas poderiam pegar.

Também poderia ser interessante comparar estes valores com os valores efectivos de inflação para perceber o custo real do crédito.

Nota: não sou economista nem tenho particular formação nessa área pelo que pode perfeitamente acontecer estar a ignorar algum ponto importante. se assim for usem e abusem da caixa de comentários

por Vitor Silva



One Comment

  1. Boa tarde Vitor ! Antes de mais muito obrigado pelo comentário, uma vez que o gráfico enviado só ajudar a corroborar o que eu referi. Pela análise do gráfico, o diferencial entre a euribor a 6 meses e a taxa implícita em 13-01-2009 ronda os 3,5%, o que bate certo, ou seja, descontando os tais 2%, fica 1,5% para a margem (bruta) do banco. Depois em função da tipologia de cada contrato de crédito, pode-se abdicar de uma maior ou menor margem. No caso concreto do crédito habitação, conforme é referido no teu blog e que visitei, os bancos podem fazer spreads abaixo de 1%, uma vez que há alguns aspectos específicos, tais como a mitigação do risco pela garantia real que o imóvel oferece ao banco, o factor “âncora” que o produto induz na fidelização do cliente, e ainda porque habitualmente obriga à subscrição de alguns produtos, como p.ex. seguros, domiciliação de vencimento, etc, que permitem aumentar a margem da operação. Mas em crédito revolving, actualmente é impossível praticar spreads desses.

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