lideres e contexto ou o contexto da liderança

Quando falamos a respeito de lideranças e regiões costumam vir à baila dois temas:

  • por uma lado é difícil identificar uma ou duas personagens que sejam lideres mais ou menos indiscutíveis de uma região (independentemente da divisão administrativa que se considere);
  • por outro lado temos sempre o, bom / mau / assim-assim (riscar o que não interessa) exemplo da Madeira.

Isso rapidamente se transforma num argumento para quem acha que, por não haver lideres, ou os que se conhecem não serem, no mínimo, exemplos ortodoxos do que é ser um bom líder, não se pode pensar em distribuir / delegar competências e deveres por outros órgãos abaixo do nível da administração central.

O meu argumento é que esses líderes não aparecem, ou se existem não têm visibilidade suficiente, porque não têm um contexto propício para o seu aparecimento e / ou ampliação da sua esfera de influência.

Considerando os órgãos que têm legitimação popular pelo facto de serem eleitos vemos que a esfera de actuação dos mesmos é:

  • ou o país como um todo,
  • ou um município (cidade / conjunto de cidades),
  • ou a freguesia (como parte integrante de uma cidade ou como polo mínimo agregador de um município)

Ou seja, em nenhum destes casos, há uma relação legitimidade / contexto de actuação que defina como prioridade o pensar em unidades superiores ao simples município.
O que resulta desta falta de legitimidade é que qualquer tentativa individual ou colectiva de um pensamento supra-municipal vai ser frustrada principalmente por lutas pela legitimação e não pela prossecução de um programa efectivo.

A impossibilidade de criação desse contexto impede que surjam pessoas que querem simplesmente contribuir para a sua região. Sem qualquer espécie de sentido anti outras regiões mas sim no sentido de lutar por aquilo que lhes parece ser melhor para a sua região, que provavelmente será aquela que conhecem melhor.

Esse impedimento é verificável historicamente. Qual o deputado ou governante que conseguiu, na assembleia ou no governo pensar e fazer lobby exclusivamente para a sua região? Qual o autarca que conseguiu expor qualquer tipo de pensamento supra-municipal sem ter que ouvir pelo menos uma insinuação de que o que pretende é sugar a importância dos outros municípios?

Assim, provavelmente só uma pessoa com uma pontinha de masoquismo ou ignorância se atreverá a tentar entrar num jogo que há partida só parece admitir um resultado possível que é a frustração.

por Vitor Silva



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