o fim do mundo em perspectiva #2

Via o site de Pedro Lains fiquei a conhecer o primeiro estudo que foca o impacto económica do terramoto de 1755.
algumas das notas que retirei foram as seguintes:
– o terramoto  “limpou” em alguns minutos entre 32%-48% da riqueza portuguesa (pag.12)
– devido às necessidades de reconstrução certas profissões como pedreiros e carpinteiros viram o valor dos seus salários aumentar. o governo tentou evitar essa através de uma proibição que foi em parte ignorada.

“Even in the royal household the wage controls on construction workers were not enough to stop the rise in wages. At first, the Royal Household tried to disguise this rise in nominal wages by granting exceptional bonus to construction workers, such as siestas (an additional 100 reis) and lunch subsidies (50 reis). By the end of 1756, these supplements were fully incorporated in the construction workers’ wages.” (pag.18)

– o sentido de urgência na recuperação do país serviu para reduzir a dependência inglesa a nivel de comércio permitindo a diversificação de fornecedores, serviu para a modernização ou criação de infraestruturas fundamentais bem como a redução da dependencia da Igreja

“it would have been impossible for him to persecute the Jesuits and to reduce the Church’s influence, and his nationalistic commercial and import-substituting policies would have been virtually impossible” (pag.20)

– serviu também de suporte para a reestruturação do estado

“Other European countries were centralizing their administrations too, and it is likely that Portugal would have eventually gone through the same trend even without the earthquake. But Pombal’s reformist group accelerated the process.”(pag.29)

– muito disto só foi conseguido pela rapidez com que o Marquês de Pombal tomou as rédeas do problema

“The most impressive feature of Pombal’s response was the speed and the degree of centralization that he attained. From the outset, Pombal assumed a prominent position in the relief effort. Of the three secretaries of state in the government, Pombal was the only able or willing to face the dimension of the tragedy.” (pag.20)

Tentando trazer esta descrição para os dias de hoje o que eu vejo é que as ideias são importantes. É importante pensar sobre os problemas e discutir as ideias porque quando surgir a necessidade / oportunidade de as aplicar o tempo disponivel para pensar será curto e os ganhos vão ser obtidos por quem conseguir agir mais rapidamente e com qualidade.
Num outro aspecto mais concreto, parece que mais do que os controlos de preços serem perniciosos, a ideia que retenho é de que há alturas em que não faz sentido o estado intervir, tal o disconnect entre a realidade e o que o estado considera ser o ideal para o país
E claro, como podemos ver, mesmo as situações dramáticas podem ter oportunidades para aproveitar.

por Vitor Silva



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