estradas, estradas

Voltando ao post anterior pergunto-me quanto custaria fazer a rede que apresento a seguir baseado nas propostas de Rui Farinas com um “traçado de estradas contemporâneo” sendo que com essa classificação quero dizer:

  • uma estrada onde seja possível a um carro ligeiro uma velocidade constante de 60-70kmh,
  • com bermas alargadas,
  • normalmente só com uma faixa para cada lado
  • e em pontos criticos com 2 faixas no sentido em que estiver a subir.

Com uma ajuda do google maps estive a simular um traçado que permitisse prioritariamente ligar as sedes de concelho do distrito de bragança à sua capital de distrito. Para além disso ainda incluí 2 ligações ao resto do mundo.

Ligações Bragança

As ligações seriam as seguintes:

ligações ao mundo

  • sanabria – bragança (no ip4) – 32km
  • miranda do douro – zamora – 48km

ligações internas

  • vinhais – bragança (nó ip4) – 19km
  • miranda do douro / vimioso – rio frio (ip4) – 48km
  • mirandela – vila flor / carrazeda – 35km
  • macedo – alfandega da fe / torre de moncorvo – 43km
  • macedo – mogadouro / freixo – 72km

Tudo somado dá cerca de 300km de estradas, o que compara com os 150km de ip4 entre vila-real / bragança
Se o custo de reconversão do ip4 é aproximadamente 680ME em que 370ME é do tunel do marão, temos entao cerca de 310ME disponíveis para os aproximadamente 150 km de ligação vila-real/bragança.
Parece-me aceitável supor que o custo de 300km de estrada de perfil moderno seria igual ou inferior ao custo de transformação de 150km de ip para auto-estrada ao custo aproximado de 2ME/km.

Não sei até que ponto é justo questionar os presidentes de camara por não preferirem uma solução à outra ou se a responsabilidade é somente dos políticos centrais… como em tudo na vida há pelo menos duas formas de olhar para esta situação:

  1. visão pro-centralista => ora aqui está um exemplo de como os nossos decisores públicos intermédios (presidentes de câmara, associações empresariais, …) não têm capacidade para gerir assuntos maiores do que a sua própria quinta e só querem obras imponentes (tipo rotundas ou autoestradas). ainda bem que temos os grandes decisores de lisboa que nos conseguem encaminhar para a via de desenvolvimento correcta;
  2. visão pro-regionalista => aqui está um exemplo de como os senhores de lisboa só conseguem olhar para os projectos macro com números com pelo menos 6 algarismos. parafraseando Medina Carreira no seu estilo às vezes desconcertante tal o realismo que imprime “Trás-os-Montes viveu com caminhos de cabra até agora e de repente salta de caminhos de cabra para uma auto-estrada. Acha que isto num país pobre é alguma coisa que faça senso?”

A pergunta que fica é porque razão costuma haver dinheiro para estas grandes obras e não para as obras banais como criar uma estrada em que se consiga andar a uma velocidade constante de 60-70kmh?
Os instrumentos e engenharias financeiras necessárias para pôr de pé uma obra destas (que, sem duvida pode ser vista como investimento, mas que ela própria nunca irá produzir nada, isto é, não vai sair nenhum Magalhães de um pedaço de betão, nem nenhum molde, nem nenhuma peça de roupa, …) só estão disponíveis quando falamos em dezenas ou centenas de milhões de euros? Não são possíveis para investimentos de 1 milhão ou 10 milhões?

Será só porque a nível de coordenação central é mais fácil pensar em um só projecto (uma grande autoestrada) em vez de vários pequenos projectos?

Será que as coisas são decididas só pela visibilidade que poderão ter? (uma autoestrada terá sempre uma impacto incomparavelmente superior a uma estrada nacional melhorada)

Será que é porque somente os projectos grandes chegam aos ouvidos dos decisores macro (politicos centrais)?

por Vitor Silva



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