despenalização do aborto #2 – notas

sobre a questão de saber quando começa a vida

Para mim é totalmente irrelevante saber quando começa a vida porque eu considero o organismo resultante da fecundação do óvulo pelo espermatozoide como vida já que contem toda a informação necessária para se transformar num ser vivo da nossa espécie.

Não vai nascer um rato, nao vai nascer uma mosca, vai nascer uma pessoa. pelo caminho pode haver malformações resultantes da informação genética ou algum outro problema causado por outros factores externos mas não deixa de ser o inicio da vida. para mim claro.

Assim, para mim, essa questão é totalmente irrelevante. a vida está lá. seja ao fim do primeiro dia, seja ao fim da décima semana… aliás este tipo de questão nunca seria passivel de ser definido rigidamente, por mais que o processo de desenvolvimento do feto seja igual certamente que numas mulheres o estado do feto ao dia 30 é ligeiramente diferente do estado do feto noutra mulher nesse mesmo dia.
se quisessemos definir algum critério teria que ser algo objectivo em relação à condição especifica do proprio feto. mas claro as leis têm que ser genericas e abstractas e por isso simplificamos com a atribuição de uma data que mais ou menos representa alguma coisa.

Já agora não tenho a certeza que nesta matéria, saber quando começa a vida, a medicina seja necessariamente a disciplina melhor equipada para o definir, não acho que um organismo seja o mesmo que um carro em que um engenheiro pode dizer que isto é um carro porque tem motor e rodas… porque não encarar essa definição como uma questão filosófica? religiosa? de um dominio que não o do critério objectivo do ter esta ou aquela parte do corpo desenvolvido? repito, não tenho a certeza que a medicina seja necessariamente a disciplina melhor equipada para o definir mas também não estou a dizer que não faz sentido esse tipo de argumentos… tenho duvidas…, só isso.

Voltando à questão.
para mim desde a fecundação há vida, num estado mais ou menos desenvolvido mas está lá. a consequência que eu retiro daqui é que para mim o valor da vida não é um valor absoluto, ou seja, eu aceito que em alguns caso se mate (porque é isso que eu considero) outro ser vivo. ou levando mais longe o raciocinio, eu valoro a vida, acho umas vidas mais valiosas que outras e é esse critério que utilizo.

aceito que se atribua maior peso à vontade da mulher do que à eventual vontade do feto porque considero que a vida da mulher é mais valiosa do que vida de uma pessoa que ainda não teve oportunidade de viver.

ia dizer que a unica vida à qual atribuo um valor absoluto seria só a minha porque não queria morrer nunca, mas nem isso, já que imagino (dificilmente mas admito) que se me tornasse num vegetal, ou num tetraplegico preferisse morrer a viver numa condição que considero inferior aquela que poderia ter numa situação óptima.

é provavelmente uma visao chocante mas parece-me ser a mais consequente da minha premissa inicial: para mim desde a fecundação há vida, num estado mais ou menos desenvolvido mas está lá.

por Vitor Silva



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