p2p pirataria musica portugal

pelos vistos o a indústria da música portuguesa sofreu uma quebra de 40% nas vendas/receitas. o culpado, talvez não o único mas sem duvida o principal foi, dizem-nos, a partilha de mp3. acredito que seja verdade.
há várias formas de abordar esta questão e parece-me que os principais interessados que são os artistas e a indústria como tal (se é que em portugal isso existe) estão a pegar pelo lado errado.
como eu vi escrito parece um paradoxo que hoje em dia nós tenhamos acesso a mais música do que alguma vez tivemos e no entanto o mercado enquanto distribuição do objecto fisico (cd, dvd, etc.) está a reduzir.
se esta conversa se estivesse a passar à 5 ou até à 3 anos poderiamos encarar a ideia que esta ideia de regulamentar a partilha de ficheiros era exequivel mas, pelo menos para mim, neste momento isso é completamente utópico. só vai servir para gastar recursos a combater um movimento que não é passível de ser parado… quanto muito poderemos conduzi-lo, direcciona-lo para algo mais realista no mundo actual, mas o melhor mesmo é olhar para esta questão como uma oportunidade.

para mim uma das principais questões é que o consumidor o que quer é a arte, isto é o produto do artista, neste caso a musica que ele produziu. ou seja toda a industria que se construiu com base na distribuição do objecto fisico não faz sentido existir. eu não vejo porque tenho que pagar pelo custo de produção do cd (materias-primas, transformação, distribuição, gestão de todo o processo). ou pelo menos não percebo porque tenho que pagar sempre isso. eu aceito que se quiser uma caixa com um cd lá dentro então vou ter que pagar mais… não sei se o que pago agora mas isso é outra história.
não faço ideia do que representa a industria musical em portugal enquanto distribuição de música, mas ainda há pouco tempo num debate sobre a obrigatoriedade de passar x% de musica nacional na rádio ouvia que o número de discos editados em português (e eu sei que estou a misturar um pouco estes dois temas) era minimo… não quero exagerar mas algo como menos de 200 e isto incluindo claro a chamada musica pimba e os tradicionais fadunchos, com isto a chamada pop/rock representava uns 10 ou 20% do total editado, ou seja uns 40 titulos de musica pop/rock em português… insuficiente diziam para manter uma rádio mainstream por exemplo.
a minha duvida… alguém acredita que só haja num dado ano 200 grupos ou artistas individuais a produzirem musica em português ou em portugal? será que o problema não é antes de tudo a dificuldade de capturar todo o conteúdo musical produzido em portugal?
e voltando à distribuição, será que o problema não é distribuir todo o conteúdo português ou produzido em portugal tendo em conta que somos um país pequeno e que por isso não consegue ter massa critica suficiente para conseguir ganhos de escala?
todas estas ideias vêm um pre-conceito meu que é o de que a verdadeira função das grandes multinacionais da musica, ou de qualquer empresa que se dedica no fim a vender cds não é… vender cds!
a sua verdadeira função é encontrar um artista, promovê-lo e explorar as diferentes facetas desse artista.
podem-me dizer mais uma vez que não temos mercado suficiente para tudo isso… não sei… tenho que saber qual é a estrutura de custos… mas eu pergunto-me que custos fixos para além da publicidade é que um editora precisa de ter?…
quer ter merchandising especifico para um artista? porque não usar algo tipo cafepress
quer ter uma divulgação institucional do artista? porque não criar uma entrada na wikipedia?
quer permitir um contacto directo artista / consumidor? porque não criar um blog, por as suas fotos no flickr e os seus videos no youtube?
em quanto é que vamos de custos? zero…
claro que estou a simplificar mas o meu ponto é a tecnologia está toda aí e vocês têm o conhecimento na área que vos vai ser mais importante e que é a comunicação!
descobrir talentos até pode ser mais simples, porque não ter um, dois, n sites para onde os potenciais artistas possam enviar demos? divulgar também pode ser fácil, porque não criar podcasts com programas interessantes! vocês até dominam a área audio!
a verdade para mim é que o sector como tal está totalmente sobredimensionado para o que o mercado lhe exige que é musica agora quando quero ouvir do grupo que me apetecer e claro, de borla. se eu quiser contribuir para o grupo (e claro que dificilmente quererei contribuir para uma multinacional que desconheço) vou ver os seus concertos e compro o seu merchandising para lá disso a única alternativa é deixar de consumir música e isso parece-me impossível.

por Vitor Silva



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