Design of Everyday Things #3

Ao longo dos tempos o ser humano foi adoptando algumas estratégias que lhe permitem lidar com a enorme quantidade de informação com que tem que lidar diariamente. E não se pense que é um problema de somenos, basta olhar à nossa volta e apreender o que está por trás de coisas tão triviais quanto usar uma caneta (como seleccionar a cor pretendida por exemplo?), ligar as luzes de um carro (problemático quando saltamos de um carro para outro), seleccionar um número no telemóvel, fechar uma torneira (é para a direita ou para a esquerda?), etc.

Uma forma de ultrapassar esse problema é contar com as “instruções” que o ambiente que nos rodeia nos fornece. Assim se calhar para fechar uma torneira eu vou rodar o manípulo, para seleccionar o número do telemóvel vou seguindo as instruções que ele me dá e assim sucessivamente.
Podemos portanto contar com um conjunto de “meta-informação” que nos é fornecida pelos próprios objectos ou situações com as quais somos confrontados.
Este tipo de abordagem no entanto só é possível na medida em que na maior parte das vezes não é necessário garantir um elevado grau de fiabilidade nessas acções. Imaginemos que a torneira que queríamos fechar comandava uma comporta de uma barragem… se calhar já não vamos usá-la da mesma forma do que a torneira da cozinha… isto é não nos vamos dar ao luxo de confiar somente naquilo que nos parece que deve ser o comportamento adequado para aquela situação (e que pode ser induzido pelo próprio objecto) mas certamente iríamos recorrer a conhecimento específico que previamente tinhamos adquirido.
Há portanto duas perspectivas, a utilização da informação que o próprio ambiente nos fornece e que conjuntamente com os constrangimentos (constraints) naturais e culturais nos permite uma induzir o que devemos fazer (embora tendo em conta a questão da fiabilidade dessa informação) (ver também artigo sobre mapeamentos naturais http://www.usabilidade.com/artigo.asp?id=362); ou o uso de informação previamente apreendida e que guardamos convenientemente no nosso cérebro.
Claro que para podermos usar informação que já recolhemos temos que a guardar primeiro, e esse por vezes é o principal problema.
Uma das necessidades que impomos á nossa memória é a de guardar informação que, por si só, não é relacionável com nada, como por exemplo um número de telefone ou numero de bilhete de identidade ou a combinação de teclas para fazer aquele passe maravilha no pes3. normalmente resolvemos este tipo de problema decorando simplesmente a informação, podemos eventualmente recorrer a fórmulas onomatopeicas (por exemplo um numero soa a determinada musica que se gosta) ou definir relações mais ou menos obscuras entre partes da informação (por exemplo os dois algarismos são o dobro de um terceiro algarismo).
Mas para além do simples decorar recorrendo a artefactos mais ou menos obscuros, o nosso cérebro já percebeu que tudo se torna mais fácil se conseguir encontrar relações entre algo novo que se quer memorizar e conhecimento já disponível na nossa base de dados. Este tipo de operação normalmente passa pela criação de um modelo mental que dê sentido a algo que à partida parece ininteligível.

Propriedade Conhecimento no mundo Conhecimento na cabeça
Capacidade de recuperar informação Sempre que ela seja visível ou audível Não é rapidamente recuperável. Requer pesquisa na
memória ou lembrança
Aprendizagem Não é necessária aprendizagem. A interpretação
substitui aprendizagem. A facilidade de interpretação da informação depende
da forma como são explorados os mapeamentos naturais e contrangimentos
(constraints)
Requer aprendizagem, que pode ser considerável. A
aprendizagem é facilitada se o seu significado for facilmente apreendido
(ou se houver um bom modelo mental)
Eficiência na utilização Tendencialmente lenta na medida em que requer que se
encontre e interprete primeiro a informação externa
Pode ser bastante eficiente
Facilidade de utilização na primeira utilização Alta Baixa
Estética Pode ser inestética e deselegante, especialmente se
houver a necessidade de manter muita informação.
Nada necessita de ser visível, o que dá mais liberdade
ao designer, o que pode levar a uma melhor estética

por Vitor Silva



Comments are closed.