Notas de Leitura: Doorbells, Danger, and Dead Batteries: User Research War Stories

No mundo do desenvolvimento de software, grande parte do resultado desse desenvolvimento será depois utilizado por pessoas. Seja navegando num website, construindo gráficos numa folha de cálculo, criando o design de outros objetos, controlando a velocidade do nosso carro no painel de bordo do mesmo ou a rota que o avião onde vamos deve seguir.

O processo de design e desenvolvimento desses softwares e o seu impacto é muito interessante e recomendo a quem queira explorar este tema que leia o livro Design of Everyday Things de Don Norman (embora mais centrado no design industrial e de produto).

No entanto antes de se iniciar esse processo de design e desenvolvimento é necessário perceber o que o nosso público-alvo pretende e valoriza. Seja para definir a primeira versão de um produto, seja para validar a implementação dessa primeira versão ou descobrir o caminho a seguir para as versões seguintes.

Esta é a fase da pesquisa com utilizadores (user research), que tipicamente inclui entrevistas cara-a-cara com pessoas que representam esse público-alvo.

Na Samsys, tipicamente não temos a oportunidade de fazer este tipo de trabalho, da forma como outras empresas noutros países fazem, com equipas de etnógrafos ou outros investigadores que preparam o seu plano de entrevistas, “recrutam” os utilizadores a entrevistar, gravam as entrevistas, eventualmente transcrevem-nas e depois apresentam um relatório com o resultado da sua investigação.

Isto porque habitualmente os clientes chegam já com uma ideia muito precisa do que pretendem, ou então trata-se de um projeto muito pequeno, onde este tipo de investimento não se justifica.

Claro que isso não nos impede de, a partir daquilo que o nosso cliente nos diz, nós acrescentarmos mais informação baseada na nossa experiência ou, no limite, sugerir mesmo a realização de uma projeto em duas fases em que a primeira seja este trabalho mais exploratório (algo que atualmente estamos a experimentar na Samsys).

Ainda assim, e apesar de não me conseguir relacionar diretamente com as diferentes histórias apresentadas no livro Doorbells, Danger, and Dead Batteries: User Research War Stories, de Steve Portigal (porque não fazemos user research) não deixei de encontrar muitos pontos de contacto entre o nosso trabalho e o que é descrito no livro. Seja em reuniões de âmbito técnico-comercial, seja em reuniões de levantamento de requisitos ou de acompanhamento de projetos.

O que, se pensarmos bem, não deveria ser uma surpresa, porque na verdade estamos a falar de como pode decorrer a interação entre duas partes (entrevistador / entrevistado; utilizador / equipa de investigação; potencial cliente / comercial; cliente / programador).

Estas histórias são muito interessantes porque conseguem-nos ajudar a criar uma ideia mental de como este processo pode correr, nomeadamente todas as variantes em que ele pode correr mal, ou como poderia vir a ter um final complicado mas aquela intervenção milagrosa conseguiu dar a volta à coisa.
E há tantas variantes possíveis que seria praticamente impossível criar uma checklist que nos permitisse garantir que todas as situações foram acauteladas.

O que não quer dizer que não faça sentido ter essa checklist com aquela entrada cléssica que é “garantir que estamos a gravar” ou aquele conhecimento de saber que temos que tratar de nós (comida e casa de banho) antes se começar uma reunião.

Os casos apresentados exploram diferentes temas como a forma como mesmos os melhores planos falham, os diferentes desafios que os nossos entrevistados nos colocam, até mesmo situações de perigo físico e como a forma como lidamos com pode ajudar a descobrir “insights” que outra forma não teríamos.

Algumas das coisas que talvez possamos sistematizar, para além daquelas questões mais operacionais que referi acima, serão talvez o saber que é importante um plano mas que depois também é importante conseguir ajustar em função da realidade em que nos encontramos (local ou cultura), e a importância da ligação humana, da empatia (e não consigo deixar de fazer a ligação com a formação com o Alexandre Monteiro sobre linguagem não-verbal).

Mesmo quando falamos de projetos digitais voltamos sempre ao relacionamento humano.

O Comércio Eletrónico e os 4 Ps do Marketing

No dia 29 de abril de 2019 participei, através da Samsys, na Universidade Lusíada (Famalicão) numa aula aberta do curso de Gestão e Marketing sobre Comércio Eletrónico. Tendo em conta a temática e os alunos para quem íamos falar pareceu-nos interessante fazer um enquadramento inicial entre o Comércio Tradicional e o Comércio Eletrónico, e depois fazer a ligação entre os 4 Ps do Marketing (Product, Price, Place, Promotion) e como eles se relacionam com esta temática.

Como o Comércio Eletrónico se relaciona com o Comércio Tradicional

A Samsys, nas suas diferentes áreas de atuação, trabalha muito com PMEs, algumas em áreas mais relacionadas com o comércio B2C, que será o exemplo que mais facilmente se aproxima do cenário tradicional do Comércio Eletrónico, na vertente de loja online.

Estas empresas, tipicamente, seguem 3 modelos, no que diz respeito às suas instalações físicas: podem ser donas de uma loja de rua; podem ter uma loja arrendada ou podem estar enquadradas no centro comercial, ou outro tipo de espaço gerido por outra entidade.

Da mesma forma, a abordagem que podemos ter uma presença online e principalmente para negociar online pode ter também estes 3 tipos de opções: Loja Online Personalizada; Solução SaaS; MarketPlace.

Comparação entre abordagens de comércio eletrónico e de comércio em lojas fisicas

Loja Online Personalizada

Uma loja online personalizada, ou seja termos um website construído à medida para nós, da mesma forma como ser dono de uma loja, permite um grau de flexibilidade maior no que diz respeito à forma como queremos mostrar, divulgar, comercializar o nosso produto.

Assim como investir na compra de uma loja física implica um investimento inicial maior, esta abordagem também tem essa característica, que deverá ser considerada em conjunto com a necessidade de, posteriormente, ter um plano de comunicação para continuar a divulgar a loja, e por isso muitas vezes aconselhamos os nossos clientes a começarem com soluções menos ambiciosas do que aquilo que nos pedem.

No entanto esta é sem dúvida a solução que, depois de concluída a implementação, irá responder a todos os desejos do dono do negócio.

Loja Alugada / Solução SaaS

Já numa loja arrendada, aquilo que poderá ser identificado como maior vantagem, relativamente à opção anterior de loja própria, é precisamente o menor investimento inicial.

Esta vantagem vem no entanto com a consequência de não poder fazer com ela tudo aquilo que quisermos, mas somente aquilo que o senhorio, no caso de uma loja física, ou o fornecedor de serviço, no caso de uma loja online, nos permitir.

Este tipo de solução tem tipicamente uma comercialização através de subscrição, ou seja, mensalmente é paga uma renda, que atribui, a quem a paga, o direito de utilizar a plataforma.

É uma solução que, no curto prazo, permite, com um investimento reduzido, iniciar o processo de comercialização online, podendo, no entanto, no longo prazo, ter um valor acumulado de investimento maior.

MarketPlace

Finalmente temos as plataformas do tipo marketplace, que no mundo físico podemos comparar aos centros comerciais, onde, para além da propriedade ser da própria plataforma (centro comercial), permite ao comerciante usufruir, desde logo, de todo o público que já acede ao shopping conseguindo, assim, ter desde a abertura da loja um número maior de pessoas a passar em frente à mesma.

Exemplos de plataformas de comércio eletrónico: Marketplaces, SaaS e Personalizadas

Utilização de Plataformas de Comércio Eletrónico em Portugal e no Mundo

Olhando para tendências mundiais, percebemos que, considerando toda a Internet, o Shopify está à frente (uma solução SaaS) e o WooCommerce em 2º com metade dessa percentagem. Algo que pode ter a ver com o facto de ser mais simples começar com uma solução já toda construída e pronta a usar do que ter ainda que a instalar e configurar.

Considerando o top 1 milhão de sites mais visitados a nível mundial, a situação inverte-se embora WooCommerce e Shopify tenham valores muito próximos.

Finalmente em Portugal verificamos que o Prestashop é ainda o mais utilizado (a nível de share). De referir que, tendo em conta a experiência da Samsys na implementação de soluções WordPress, temos privilegiado a implementação de soluções WordPress com WooCommerce

Utilização de plataformas de comércio eletrónico (fonte: https://trends.builtwith.com/shop)

O que podemos esperar de uma plataforma de Comércio Eletrónico?

Uma das questões mais recorrentes dos projetos de implementação de lojas online tem a ver com o facto de, algo que aparentemente é simples (só quero vender online), quando detalhado, torna-se um projeto muito grande e complexo.

Na verdade isso não deveria ser surpresa na medida em que vender online implica, de certa maneira, o mesmo tipo de esforço que vender numa loja física. Daí que todas as coisas que fazemos numa loja física (promoções, destaques, gestão de cliente, personalização da loja, etc.) vão ter que ser implementadas também na loja online.

Diferentes funcionalidades da loja online

É aqui que me parece interessante usar a abordagem dos 4Ps do Marketing para nos ajudar a distinguir as funcionalidades supérfluas das essenciais, ou, principalmente, as funcionalidades prioritárias das que podem ser implementadas posteriormente.

Relembrando os 4Ps – Marketing Mix de Produtos

  • Product – o que é o produto
  • Price – quanto vai custar
  • Place – canais utilizados
  • Promotion – estratégias de divugação

Ou seja, Temos que conhecer o nosso produto, perceber a estratégia de preços que vamos utilizar, definir os canais de distribuição e os sítios onde ele vai estar e perceber como o vamos divulgar e promover.

(Se estivermos a falar de serviços então será ainda de considerar outras questões – ver 8Ps de Marketing Serviços)

Neste sentido podemos dizer que a plataforma de comércio eletrónico é o “Place”, isto é, é um dos canais que vamos usar.

Um dos grandes desafios na implementação de projetos de lojas online surge quando não se integra a Loja Online no resto da estratégia global de Marketing ou, pior, quando essa estratégia nem sequer existe.

Num mundo perfeito:

  • temos o melhor produto do mundo;
  • temos a melhor estratégia de preço do mundo;
  • temos a melhor plataforma do mundo;
  • conseguimos chegar a todo o nosso publico alvo.

Mas claro que a realidade não é assim. Se alguma vez fossemos ter isto tudo é porque tínhamos dinheiro ilimitado, pessoas ilimitadas e tempo ilimitado. Isto quer dizer que vamos ter que fazer escolhas.

De seguida elencamos algumas questões que sabemos que são necessárias ter em conta quando acompanhamos o processo de implementação de uma loja online.

Promoção

  • Como vamos divulgar uma loja nova?
    • Meios online – Adwords, Facebook Ads, Landing Page, …
    • Meios offline – Flyers, Publicidade de Rua, Direct Mailing, Eventos, …
  • Como vamos manter a ligação ao cliente?
    • Meios online – Newsletters de follow-up, Instant Messaging, re-targeting,…
    • Meios offline – Brindes, Eventos,
  • Que conteúdos temos
    • Fotos e textos sobre o produto com qualidade?

Preço

  • Já definimos como vamos incorporar (ou não) questões como custos adicionais de portes e/ou taxas de pagamento no valor final do produto?
  • Comparação entre preços que pratica online e offline
  • Comparação com concorrentes online
  • Promoções específicas?
  • Cartões de pontos?

Produto

  • O que o distingue da concorrência, sabendo que esta está a um simples clique de distância

Place / Local

  • Plataforma (Loja Online)
  • Processo administrativo interno
    • O que vai ser feito diferente para passar a integrar um novo canal de venda?
    • Quem vê o mail com a encomenda?
    • Processo de entrega / embalamento está pensado?

Desafios de apoiar uma loja de comércio tradicional a implementar uma loja online

Normalmente quando alguém que tem um comércio tradicional, ou alguém que está agora a arrancar, pensa em abrir uma loja online, normalmente pensa na plataforma, nas suas funcionalidades.

O nosso papel, como consultores, é pegar nessa energia dos clientes, muito focada na plataforma… porque consideram que é só isso que falta, e ajudar a centrar nestes outros pontos todos (porque só assim vamos retirar o total potencial do comércio eletrónico).

E tem mesmo que ser uma abordagem completa e integral, porque, por exemplo, se só investir na plataforma, como é que os clientes vão saber que ela existe?

Se investir só na plataforma e promoção em que é que os nossos produtos vão ser melhores que os da concorrência (e que estão à distância de um clique).

Se investir na plataforma, promoção e produto e me esquecer do preço, será que ele vai ser competitivo (na comparação do preço de venda dos outros concorrentes e no preço de custo que resulta de eficiências / ineficiências internas).

Só com os 4 itens é que vamos tirar o real potencial da venda online.

No âmbito da colaboração que Samsys gosta de ter com Escolas e Universidades do país, e que se complementa também com programas de estágio frequentes, se achar que este tipo de apresentação, ou outra em temas semelhantes, pode ser relevante para os seus alunos, entre em contacto comigo.

Formação com Alexandre Monteiro

Continuando com o plano de formações que a Samsys disponibiliza, tivemos no dia 4 de maio a oportunidade de ter uma sessão com Alexandre Monteiro sobre Linguagem Corporal.

É um tema interessante mas que com a popularização da serie “Lie to me“, bem como com uma leitura algo excessiva que algumas pessoas fazem com as suas técnicas, ficou também um pouco descredibilizada.

Há alguns pontos que nunca é demais esquecer sobre esta questão de interpretar o que uma pessoa está a sentir a partir de das suas expressões.

Talvez o mais importante é que é preciso conhecer a “baseline” da pessoa… se calhar aquele esgar que a pessoa faz é só um tique e não tem mais nenhuma leitura. Da mesma forma, o facto de identificarmos algo que a pessoa não está a verbalizar não nos dá o direito de a confrontar com essa eventual incongruência, pode acontecer essa pessoa estar inclusivamente num processo de auto-conhecimento e/ou auto-convencimento sobre esse tema.

Ainda assim este tipo de análise é interessante e no limite poderíamos dizer que mesmo que queiramos deixar o tema mais específico das micro-expressões para especialistas, a análise mais macro dessas expressões é uma técnica muito interessante para as diferentes vertentes da nossa vida, seja profissional, como técnico, administrativos ou comerciais, ou simplesmente para a nossa vida familiar.

Se mais de 60% ou 70% da nossa comunicação é não verbal, percebe-se a importância que ela tem nos diferentes relacionamentos que temos.

E na vertente empresarial, onde muitas vezes precisamos de criar raport rapidamente com alguém, torna-se importante nós próprios sabermos que tipos de comportamentos nos vão ajudar.

Embora em alguns contextos esta criação de raport possa estar conotada com algumas situações menos simpáticas (que normalmente são puramente imorais e por isso não devem ser usadas) em muitas situações elas são absolutamente fundamentais.

Por exemplo, no âmbito do desenvolvimento de software, se estou numa reunião de definição de requisitos, e estou a falar com o principal destinatário desse software e não consigo estabelecer uma boa relação de confiança com ele isso vai-se refletir não só numa maior dificuldade no processo de desenvolvimento mas normalmente na própria qualidade final do software.

Nestas situações, muitas vezes, a empatia é mais importante que a competência.

Tal como o Ricardo Peixe falou do seu modelo FAST (Fun, Action, Strategy e Team ) onde agrupa as pessoas de acordo com a sua predisposição dominante, o Alexandre Monteiro também apresentou uma abordagem para nos ajudar a perceber como podemos mais facilmente encontrar um ponto de sintonia com a pessoa com que estamos a falar.

Ele identificou quatro características, que são Pena, Admiração, Poder, Inteligência. De acordo com a sua abordagem, ao identificarmos com que característica o nosso interlocutor se identifica mais, poderemos criar um diálogo que promove uma maior ligação entre as partes.

A formação com o Alexandre Monteiro foi muito interessante e ficamos com a sensação que poderíamos ter ficado mais algumas horas a ouvi-lo e esclarecer algumas das dúvidas que foram surgindo.

Uma confirmação da excelente intervenção que ele já tinha deixado no Dia do Cliente de 2017.

Meet Magento 2019

Continuando com a participação em conferências na Europa que a Samsys me está a proporcionais, depois da Microsoft Ignite em janeiro, Ecommerce Berlin em fevereiro e da Deliver Conf em março, estive em Haia para a conferência Meet Magento 2019 NL.

Pode parecer contraditório ou até pouco interessante no que diz respeito ao retorno do investimento participar numa conferência sobre uma plataforma (Magento) que não utilizamos diariamente, mas a verdade é que para além de termos alguns clientes que usam essa plataforma e que a integram com ERPs com que trabalhamos, por exemplo usando o nosso Driver PHC Magento, sabemos que o Magento é uma plataforma relevante, e pelo facto de ter estado sempre focada em comércio eletrónico, em alguns pontos, a sua comunidade e o próprio produto poderão proporcionar ensinamentos valiosos para quem utiliza neste tipo de soluções a combinação WordPress com WooCommerce.

Tendências no Comércio Eletrónico

Neste momento está a fazer cerca de um ano desde que a Adobe trouxe o Magento para dentro da sua linha de produtos e isso foi referido logo na primeira sessão, onde se falou das grandes tendências a nível do comércio eletrónico mundial.

Uma dessas tendências é a crescente importância dos marketplaces, que vão representar cerca de 40% de todas as transações já em 2020, bem como a importância que os utilizadores dão a personalização da experiência de compra.

Também foi destacada a crescente ligação entre o online e offline, seja a nível de integração de dados, seja a nível de começar a experiência de compra num meio e depois conclui-la noutro

E não poderiam deixar de faltar até às buzzwords do momento como a pesquisa por voz ou a utilização de inteligência artificial e machine learning em todo este processo.

Para além disso também enquadrou a aquisição deste produto por parte da Adobe no sentido de conseguir ter uma oferta de produtos que permitisse ir desde a ideação ou prototipagem, desenho da solução, neste caso do design de uma solução de comércio eletrónico, até ao próprio website.

Foi curioso perceber que também ao nível do produto é dada cada vez mais importância aos conteúdos relacionados com o produto, para além da típica página de produto, através da criação de landing-pages e outras páginas com conteúdo personalizado e que isso se refletiu no desenvolvimento de um page builder para Magento. Interessante esta abordagem do page builder até porque é algo que está muito na atualidade da comunidade WordPress com o projeto Gutenberg bem como outros projetos como o Beaver Builder ou Elementor.

Magento PWA Studio

Outro tema bastante falado foi o do Magento PWA Studio, uma plataforma para construir aplicações móveis baseadas em Magento. Pelo que percebi para já ainda é uma prova de conceito (embora lançada há mais de um ano) e também aqui, há semelhança da comunidade WordPress percebe-se que em alguns casos quem lidera (de forma mais formal ou informal) o processo nem sempre consegue partilhar com o resto da comunidade qual é o caminho.

Neste caso parecem estar um pouco indefinidas principalmente a questão das datas em que novas versões do PWA Studio irão sair, e principalmente algumas abordagens técnicas que irão ser seguidas (por exemplo Reactive ou Vue). Ao mesmo tempo outras pessoas da comunidade vão procurando fazer o seu caminho já que também nesta comunidade se percebe que o mobile e principalmente o ter uma aplicação mobile associada a uma loja online é algo cada vez mais relevante.

No evento havia algumas sessões não técnicas, por exemplo sobre marketing, entre outros, mas nesses casos quase sempre em holandês pelo que me mantive pela sessões técnicas.

Ainda assim numa sessão menos técnica apresentada pela BOL.com, “Platformization: new collaborations in Retail” de Nick Enthoven, falou-se de como os marketplaces são uma tendência em crescimento e como podem chegar a diferentes segmentos, nomeadamente às famílias jovens (casal e um ou dois filhos) que não querem chegar a casa depois do trabalho e ainda ter que tratar da comida ou outra tarefa diária e que por isso são utilizadores frequentes desse tipo de produto online; mas também dos seniores que muitas vezes têm dificuldade em conseguir transportar as suas compras para casa; e claro dos chamados milenials que têm uma relação já nativa com tudo o que é digital.

As entranhas do Magento

Voltando às sessões técnicas falou-se muito da versão 2.3 que parece estar a ser um marco na comunidade e vista como uma versão de referência tal como foi a versão 1.4.
Vestindo ainda a minha camisola de developer é interessante ver como conceitos standard desta área do desenvolvimento de software estão a ser usados, seja “dependency injetion” ,”plugins”, “observables”, “repositories”, etc. Conceitos que nós utilizamos internamente também nos nossos desenvolvimentos e que vão aparecendo também na comunidade WordPress.
Acho que só não falaram de View Models, mas a criação de elementos para UI também parece bastante sistematizada.

Tudo isto referido em várias sessões, nomeadamente na mais técnica de todas as que assisti sobre o futuro que se pretende para o Magento com o titulo sugestivo de “A long way from Monolit to Service Isolated Architecture” de Igor Miniailo. Uma apresentação que quase que precisava de uma tarde inteira para se conseguir transmitir corretamente tudo o que se pretende fazer.

Numa nota mais específica sobre a arquitetura do Magento, e mais relacionada com o domínio de atuação deste software (lojas online) é interessante perceber que de raiz já vem incorporado o conceito de Multi Source Inventory algo que é muito importante para alguns vendedores.

Duas sessões que se destacaram foram a “So you want to develop with Magento“, com David Manners e a “Half a rush hour of Magento 2” com Fabian Blechschmidt , ambas sobre as “entranhas” do Magento, uma mais na vertente da introdução (instalação e afins) e outra numa perspetiva mais de apresentação geral da plataforma. Muito interessante para quem, como eu, não trabalha diariamente com a plataforma, mas também muito divertida pela forma dinâmica como foi feita.

Qualidade de Software

Ainda na perspetiva de aprender coisas novas e até aplicá-las no nosso dia a dia, a apresentação “Tools to improve the quality of your Magento project” de Stephan Hochdorfer, foi muito interessante, já que focou um conjunto de ferramentas, não específicas do Magento, e que permitem melhorar a qualidade do processo de desenvolvimento de software em geral e de desenvolvimento em PHP em particular. Registei para explorar futuramente o Captain Hook (para ajudar a configurar hooks git), PHPStan para validar o código PHP desenvolvido bem com o conceito de Mutation Testing, que podemos aplicar também ao desenvolvimento em .Net que também fazemos.

Todas estas sessões foram realizadas no Louwman Museum, um espaço muito simpático e à medida da comunidade. No espaço comum havia cerca de meia-duzia de empresas, desde o Paypal (que está promover uma relação forte com o Magento), a empresas de hosting e desenvolvimento à medida para Magento.
Também encontramos algumas empresas mais direcionadas para marketing digital e que disponibilizam plataformas multi-canal que agregam toda essa informação sobre um cliente permitindo depois acompanhar num dashboard diferentes indicadores gerais e individuais da performance do website.

O dia acabou em beleza com a ultima apresentação, de Slava Kravchuck, sobre a sua aventura em África, uma descrição animada e emotiva do seu percurso da Ucrânia até África do Sul. Um apelo a que persigamos os nossos sonhos e valorizemos aquilo que de mais há importante há na vida, a alegria, a simplicidade… as pessoas.

Formaçao com Ricardo Peixe

Liderar equipas pode ser visto como uma competência nata, e todos conhecemos pessoas onde identificamos esta característica, mas, quer para esses, quer para o comum dos mortais, a aprendizagem de ferramentas e estratégias que nos ajudem a ser melhores líderes é fundamental… nem que seja só para rever ou sistematizar conhecimentos que foram adquiridos de forma empírica.
(e quando digo líderes isso até pode querer dizer “simplesmente” líderes de nós próprios)

Na Samsys, há muitos anos que o Ruben e o Samuel perceberam que para que a Samsys mantivesse um percurso de crescimento que a permitisse estar há 21 anos de mercado, como estamos, e continuar a acrescentar valor aos seus clientes, como acredito que acrescentamos, só o iam conseguir fazer delegando muito do seu trabalho operacional diário na restante equipa Samsys.

Diria que estamos agora no ano oito ou nove desta grande mudança e eu tenho o privilégio de fazer parte da equipa que, com as suas particularidades individuais, tenta levar a energia e dinamismo deles para as suas equipas, no meu caso equipa de desenvolvimento.

É nesta perspetiva de melhoria contínua e da importância destas competências sociais que, há semelhança de anos anteriores, este ano temos algumas formações que nos são proporcionadas pela Samsys. Umas para toda a equipa, como a formação com o Paulo Moreira sobre Inteligência Emocional, ou com o Alexandre Monteiro sobre Micro Expressões, outras direcionadas para a equipa de liderança, como a que tivemos recentemente em Vigo com Ricardo Peixe.

E acho que é importante destacar a forma como o Ricardo conseguiu criar uma ligação penso que com todos nós. Não só pela sua dinâmica na formação (muito gira e ao mesmo tempo eficaz a forma como incluía alguns apontamentos de ilusionismo que para além de criarem um momento de descontração, reforçavam o ponto que estava a ser trabalhado) mas também no restante convívio que tivemos com ele nos quase três dias que estivemos juntos (corrida matinal incluída).

Abordamos vários temas e fizemos vários exercícios, que inclusivamente ajudaram também a reforçar o espírito de equipa entre todos os líderes. Ainda assim destacaria o modelo FAST e o conceito “pace and lead”.

O modelo FAST é isso mesmo, um modelo, e começamos por analisar em conjunto para que serve e de que forma deve ser usado. Nomeadamente que serve para ajudar a simplificar uma realidade (mais complexa) e assim apoiar na tomada de decisões mas que, com essa simplificação, poderá, se utilizado de forma absoluta, levar-nos a ignorar as áreas cinzentas, que sempre surgem, ao pormos a realidade no nosso modelo “preto e branco”.

Este é então um modelo para ajudar a identificar qual a “energia” dominante de uma pessoa, como outros modelos como por exemplo o eneagrama.
O objetivo é, ao identificarmos essa energia, conseguirmos encontrar melhores formas de comunicar com essa pessoa (e comunicar é um processo bidirecional, de ouvir e falar) e nesse processo ajuda-la a tornar-se a sua melhor versão.

FAST corresponde então aos diferentes tipos de pessoas identificados neste modelo: Fun, Action, Strategy e Team; sendo certo que ninguém está 100% num so quadrante, nem tão pouco se mantém durante toda a sua vida ou mesmo durante todo o dia só num quadrante.

  • Fun – Criatividade; Adaptabilidade; Diversidade
  • Action – Execução; Convicção; Superação
  • Strategy – Planeamento; Conhecimento
  • Team – Agrupar; Conectar; Empatizar

Estando identificado o perfil da pessoa (e dito assim percebe-se que é uma sobre-simplificação) passamos à fase de tentar alinhar a nossa abordagem com aquilo que a outra pessoa está mais receptiva para acolher. E é aqui que pode entrar a abordagem “pace and lead”.

O que este conceito nos transmite é que, tipicamente, será mais vantajoso, numa abordagem com outra pessoa, posicionarmo-nos num estado parecido com o dela, acompanha-la (pace) e depois então, se for esse o objetivo, tentar conduzi-la (lead) para o ponto que pretendemos.

Um exemplo que o Ricardo referiu e achei muito interessante era na abordagem a uma reclamação, num cenário em que um cliente entra numa loja já visivelmente irritado a pedir para tratarem do seu problema. É diferente ter uma pessoa hiper-calma que lhe diz “tenha calma… quer-me explicar qual é o seu problema”, ou ter alguém que de forma enérgica se dirige para o cliente e diz algo como “percebo a sua situação, pode vir aqui ao lado para vermos como o posso ajudar”.

Poderia elencar muitas outras aprendizagens que retirei destes dois dias e meio, mas acima de tudo voltaria a destacar o profissionalismo e até companheirismo do Ricardo Peixe, bem como a visão do Ruben e Samuel em nos continuarem a proporcionar este tipo de aprendizagem.

 

Notas sobre presença na Ecommerce Berlin 2019

Ecommerce Berlin

Conferência / feira sobre as diferentes áreas do comercio electrónico. Numa altura em que praticamente todos os negócios, se ainda não estão online, pelo menos já começaram a pensar nisso, isso quer dizer que vamos encontrar temas e empresas relacionados com hosting, seo, plataformas de ecommerce, diferentes abordagens e ferramentas direccionadas para e-marketing, até plataformas de shipping, pagamento ou soluções de packaging, já para não falar dos temas da moda como ai, ml, datascience, etc.

É um evento, para mim, com uma dimensão confortável, dois pavilhões com bastantes stands mas num número aceitável para conseguir falar com todos os que nos interessam e ainda ter tempo para ir acompanhar algumas das apresentações que ocorrem em simultâneo em 4 track.

Apresentações

Mathias Blum – Connecting with customers in the age of assistance.

A pesquisa por voz é uma das tendências atuais da web. Embora em Portugal não tenhamos propriamente os alexas e semelhantes que ajudam a tornar estes serviços mais ubíquos a verdade é que basta ver uma criança a usar uma pesquisa por voz para encontrar os seus desenhos favoritos, para perceber que esta é mais uma abordagem transformadora à forma como interagimos com máquinas. Um ponto que ainda não tinha percebido e que foi destacado é o facto de as interações começadas por voz promoverem uma resposta por parte do sistema que se espera mais indutora de ações do que a pesquisa textual, ou seja, tipicamente fazemos uma pergunta para obter algo mais do que uma resposta sim ou não ou um simples artigo da Wikipedia.

A apresentação incluiu ainda a apresentação de funcionalidades do google assistance e como ele pode usar a voz, em conjunto com outras apis da google para criar novas experiências de utilização como por exemplo criar uma aplicação que começa com uma pergunta do tipo “o que vou jantar logo à noite”, que depois segue para a encomenda dos produtos necessários e acaba com as instruções para cozinhar esses alimentos.

Achei interessante o facto de enfatizarem que tratando-se de um novo tipo de serviço provavelmente fará sentido pensar em formas de o aplicar também diferentes do habitual… se calhar fará mais sentido usar este serviço para alugar um carro do que para o comprar…

Nuno Batista – understanding Data Science: the basis of a successful AI and Machine Learning strategy.

O objetivo desta talk pareceu-me ser o desmistificar alguns conceitos e dar informação para quem gere lojas online ou outros sistemas similares poder implementar uma estratégia de data science. Achei interessante a pirâmide de necessidades no mundo data science e o foco em recolher a informação que efetivamente necessitamos, ou seja, perceber bem o que queremos explorar para depois recolher a informação que precisamos para essas análises.

Interessante também alguns exemplos simples de código que mostrou e que demonstram como se pode retirar já algum valor destas análises mesmo com poucos dados. Também interessante alguns cenários de aplicação destas tecnologias, por exemplo um que pode ser interessante de experimentar e que é o de tagging automatico de imagens usando as soluções já existentes para isso (amazon, google, microsoft), para evitar ter que preencher manualmente informação de grandes catálogo.

Christina Keller – Push Creative Boundaries With the Mobile Space.

Mais na área da comunicação e marketing, esta apresentação centrou-se muito na apresentação de casos práticos de ativação de marcas e campanhas usando o conceito Pitch, Play, Plunge, isto dentro do ecossistema Facebook (Facebook, Messenger, Instagram, Whatsapp).

Pitch – make it na immediate get to the many;

Play – make it interactive for the curious;

Plunge – make it immersive for the interested to dive in.

Ou seja, para pessoas diferentes e para alturas diferentes da campanha, podemos usar formas e canais diferentes de comunicação. Se calhar quando queremos chegar a muita gente podemos fazer um pequeno video ou uma historia no Instagram, quando queremos criar algo que envolva mais as pessoas podemos ter jogos dentro do messenger que promovam a marca e quando queremos tornar tudo mais imersivo usar todo o conjunto de tecnologias e meios disponiveis.

O exemplo da tomy hilfiger em que os telemoveis tinham que estar lado a lado para se conseguir ver corretamente o video promocional era muito bom.

Filie Wiese – Optimizing for Search Bots.

Um bom exemplo de como dar um nome apelativo a algo mais habitual. Esta apresentação foi sobre optimização de websites tendo em conta a forma como os sites são vistos pelos motores de pesquisa. Para além das habituais questões de performance, links internos e qualidade de conteúdos, incluiu ainda algumas dicas interessantes, como por exemplo definir no google search console o que querem dizer os parametros num url e que pode ajudar para analises posteriores.

Também referiu alguns pormenores mais especificos mas importantes e que podem levar à duplicação da forma como o google vê o nosso site e que tem a ver com a mesma página poder estar a ser chamada com os mesmo parâmetros mas em ordens diferentes. Ou seja o nosso site parece muito maior, mas com conteúdo duplicado e tornando mais difícil definir hierarquias internas, que são usadas para perceber quais as páginas mais importantes do website.

Pavel Sima – Roivenue – How Axa increased ROI on afiiliates by 180%.

Uma apresentação mais direcionada para as questões de atribuição quando se conquista clientes online e como com uma análise e definição mais precisa destas questões podemos criar campanhas mais rentáveis.

Bruno Gorgulho – Exponea – A Data-Driven Future.

Achei interessante esta apresentação porque, embora o titulo apontasse para algo talvez mais teórico, na verdade apresentou conceitos muito práticos e sempre com um foco muito grande no negócio e na sustentabilidade das lojas online. Começou com uma afirmação um pouco assustadora e que é o facto de, penso que eram, 40% das lojas online no reino unido estarem ou irem atravessar dificuldades financeiras e depois foi trabalhando esse tema. A principal questão apresentada tem a ver com a relação entre o custo de aquisição de um cliente (CAC – client aqusition cost) e o valor que ele vai trazer para a empresa (LTV – long-term value) e o que foi argumentado foi que muitas empresas não olham corretamente para estes dados para perceber se realmente os clientes que vai conquistando  trazem o retorno necessário para pagar todo esse investimento de aquisição e, mais, se se tornam fieis, ou se simplesmente andamos sempre a ter que conquistar novos clientes para compensar os que saem.

Esta é uma ideia que se aplica a todas as empresas, quer o tipo de venda frequente ser de baixo valor mas com alta recorrência (por exemplo uma loja de roupa tradicional) quer se tratem de produtos premium tipicamente de valor mais elevado mas com uma recorrência mais longa. Mais uma vez tão importante como estes conceitos teóricos é o que fazemos com eles e como pegamos nos dados que recolhemos e depois criamos estratégias para conseguir aumentar a nossa ligação aos clientes e, no fim, a venda de mais produtos.

Produtos

Custobar

custobar.com – solução direcionada para retalho e com possibilidade de fazer uma analise 360 de um cliente. O que achei mais interessante foi a possibilidade de integração de informação recolhida também offline de forma a conseguirmos ter uma visão completa.

Mysize

mysizeid.com – solução que, a partir das medidas da pessoas, selecciona logo o tamanho apropriado quando estamos num site. tem o contra que implica que o utilizador se registe inicialmente nessa plataforma. Implica também que do lado da loja haja também uma ligação que permita fazer este match entre o que o utilizador carregou na plataforma e a estrutura de tamanhos da loja.

Loqate

loqate.com – solução para ajudar no preenchimento e validação de dados de localização de utilizadores. Ou seja, não só para, por exemplo via autocomplete, ajudar o utilizador a inserir a sua morada de forma mais precisa, mas também a validar a existência do email indicado. Pareceu-me também interessante o site de limpeza de dados a partir de uma lista pre-existente.

Pesquisa

Não apontei o nome mas era uma empresa especializada em pesquisas dentro do próprio site. Achei curioso porque eu referi que isto é algo que normalmente até desvalorizamos porque partimos do principio que o cliente acede ao site via google e que por isso as pesquisas internas era pouco relevantes. Ele referiu que realmente só cerca de 10% dos utilizadores usam pesquisas internas mas que verificavam que a taxa de conversão após utilização da pesquisa interna era 50% superior com o sistema deles.

Pricemonitor

patagona.de – solução interessante de monitorização de preços online. Uma espécie de kuanto kusta personalizado. Inicialmente pensei que não teria grande aplicação já que me parecia que seria mais aplicado a lojas que fazem revenda (roupa de marca, eletrodomésticos, …) mas falaram também de cenários em fabricantes que usam essa informação para perceber e monitorizar a que valor os seus produtos são vendidos.

Virtooal.com

solução de realidade aumentada direcionada para produtos que são usados por pessoas (roupa, acessórios, óculos). Pelo que me referiram o principal foco neste momento era a parte ótica e que permite ter no site uma área onde, a partir da câmara do computador ou dispositivo da pessoa, podemos logo ver no nosso rosto como vão ficar os óculos selecionados.

Cgtrader

cgtrader.com – solução de realidade aumentada direcionada, pelo que me pareceu, para mobiliário. O exemplo que tinham era estar a navegar numa loja online, seleccionar um produto, por exemplo uma mesa, e depois, usando realidade aumentada, ver como esse produto iria ficar na nossa sala. Pareceu me que o foco seria mais converterem algo para 3d e não tanto a outra parte no nosso cenário talvez mais habitual com que lidamos, com fabricantes que tipicamente já terão os modelos. Esta parte da modelação poderá não ser tão relevante, no entanto a parte seguinte, de ver a peça integrada no ambiente real é muito interessante.

Chatcamp

chatcamp.com – não sendo nada novo continua a ser interessante este tipo de solucão que integra as plataformas de messaging atuais (messenger e whatsapp) nos canais de contacto com os nossos clientes

Participação em aula de Sistemas Integrados

De vez em quando aparecem-nos alguns desafios inesperados e há duas semanas enquanto estava a meio da formação XD API recebemos um pedido para participar numa aula da unidade curricular Implementação de Sistemas Integrados do 3ºano, 2º semestre do Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão de Sistemas de Informação da Universidade do Minho.

Esta unidade curricular aborda a temática dos sistemas integrados como software (ERPs, …), como integração de sistemas (SOA, …) e funciona ainda como uma unidade curricular integradora dos conhecimentos adquiridos ao longo do 1º, 2º e 1º semeste do 3ºano.

Integração de sistemas de informação, nomeadamente softwares de gestão é algo que trabalhamos com muita regularidade na Samsys pelo que, mesmo não tendo nada preparado, achamos que seria interessante e importante participarmos nessa aula.

A ideia era ser uma apresentação muito prática e foi com esse espírito que a tentamos preparar.
Antes da apresentação desses casos tentei dar um enquadramento de como vemos, a realidade da integração de sistemas, quer no mundo em geral quer nos desafios concretos que os nossos clientes nos colocam.

Para abordar inicialmente o tema da integração de sistemas usei uma ideia que, na minha opinião, captura a essência deste conceito. Essa imagem representava uma pessoa, com um conjunto de folhas, a passar essas folhas a outra pessoa. Pareceu-me que era uma boa metáfora porque, no fim de tudo, quando falamos em integração de sistemas, estamos a falar de partilhar algo (informação) que um sistema (uma das pessoas) tem com outro sistema (a outra pessoa).

Claro que, como se costuma dizer, o diabo está nos detalhes, e se, conceptualmente, é mesmo só partilhar informação, quando começamos a detalhar o problema, muitas outras questões se levantam.

  • Requisitos: Fiabilidade; Consistência; Velocidade
  • Estratégias : Online; Batch; Ficheiros; bases de dados; webservices, …
  • Especificações: Protocolos; Sistemas abertos / fechados
  • Desenvolvimento: De raiz; Dentro de Produtos existentes

Podemos estar a falar em pensar como vamos monitorizar todo o processo para percebermos se ele é fiável… o que vamos construir para quando acontecer um erro podermos saber dele antecipadamente e podermos resolvê-lo;

Ou então perceber quais os requisitos na velocidade de integração, o que pode levar a perceber se temos que pensar num sistema de integração online ou em batch, e sendo em batch com que periodicidade e que tipo de inconsistências de dados estamos a admitir como possíveis.

Depois precisamos ainda de definir ou saber quais as formas como vamos por os dois sistemas a comunicar, por troca de ficheiros, por acesso direto às bases de dados de cada um desses sistemas, através de apis ou webservices.

No caso de alguns sistemas mais especificos, ainda poderá ser obrigatório saber que protocolos de comunicação têm que ser establecidos, o que pode ser mais ou menos complicado caso estejamos a falar de sistemas abertos ou fechados.

E, no nosso caso, em que desenvolvemos estes sistemas, temos que perceber se vamos construir tudo de raiz, se vamos usar algum componente ou se vamos usar uma framework completa que já disponibilize este tipo de serviço fazendo somente as parametrizações de cada um dos sistemas a integrar.

O que temos visto como tendência geral é um caminho desta indústria para os microserviços com apis rest que depois podem ser programadas diretamente, ou então, orquestradas para poderem comunicar entre si.

No entanto a realidade mais habitual Samsys é a da integração de sistemas, que por esta altura poderiamos chamar de clássicos, do tipo cliente / servidor, em que temos uma aplicação desktop windows que se liga a uma base de dados que disponibiliza a informação tratar.

Isto não quer dizer que os diferentes fabricantes com que trabalhamos não possam ter já soluções 100% web como o DriveFX no caso da PHC ou webificada como o PHC cs web (digo webificada porque continua a precisar do PHC CS Desktop), ou Jasmin no caso da Primavera (fabricante não tão expressivo no portfolio Samsys).

Ou seja, embora a tendência atual seja ligar aplicações web via apis rest, no nosso caso temos tipicamente que criar o interface web que ligue ao software de gestão para depois interagir com o outro sistema com que queremos integrar

Neste cenário ainda temos outra questão com que tipicamente temos que lidar e que tem a ver com a forma como esses sistemas disponibilizam o acesso aos seus dados e lógica. Já antes das APIs rest ou webservices havia o conceito de APIs. Na altura estavamos a falar de DLLs de integração, tipicamente vendidas como módulos adicionais ao software base, estas Windows API (vamos chamar-lhes assim) permitem-nos, pelo menos, abstrair-nos da lógica implementada no ERP bem como da própria estrutura da base de dados.
Este é o cenário da Sage, XD, Primavera e Wintouch e, não havendo a opção de uma API web então pelo menos ter este tipo de API é um bom começo.

Estas são todas as questões prévias com que temos que trabalhar, e este foi um tema também que tentei passar na apresentação. O desenvolvimento de software e deste tipo de sistemas não vive só de técnica. O contexto em que trabalhamos, ou seja as empresas para quem prestamos serviços, é muito relevante para perceber quais as necessidades delas, as suas expectativas e como poderemos implementar essa solução.

Depois disto passamos à apresentação de casos concretos. Onde tentamos dar uma ideia, às vezes talvez demasiado exaustiva, de como construimos essas soluções. Apresentando código, falando dos desafios dessas implementações e respondendo a algumas questões que foram surgindo.

Os exemplos que apresentamos, e que foram apresentados pelo meu colega Telmo Marques, incluiram soluções que usavam a Extensibilidade Sage ou aplicações que usavam a Sage API para integrar dados, outras com Primavera para integrar com uma loja online em WordPress/WooCommerce, o nosso addon para o Wintouch Oficinas que permite enviar Sms para os clientes cuja carro tem que ir à inspeção ou alguns exemplos que já experimentamos com a API do XD.

No geral fiquei surpreendido por temos conseguido manter uma audiência de cerca de 100 alunos, num final de dia, relativamente interessada e que foi colocando algumas perguntas durante as apresentações. Uma boa experiência portanto.

MS Ignite Tour | Milano

Como uma espécie de disclaimer, embora não faça muito sentido porque é o sítio onde trabalho, gostava de referir que fui a este evento com o apoio da Samsys, mas principalmente destacar o que acho que é um ato de grande visão este de proporcionar a toda a equipa de liderança a possibilidade de conhecer novas realidades, aprender e sempre que possivel captar novas oportunidades de negócio para a Samsys.

Este evento é a versão light do MS Ignite que ocorre todos os anos nos EUA e que tem milhares de participantes e parceiros. Neste caso é bem mais pequeno, talvez <5k pessoas sendo o número de parceiros a apresentar as suas soluções menos de duas dezenas (pelo menos esta sessão de Milão)

É um evento de apresentação das novidades da Microsoft em diferentes vertentes, sendo que atualmente o que está a ser comunicado é tudo o que tenha a ver com cloud, os diferentes serviços disponiveis na plataforma Azure e tudo o que anda à volta do Office 365 (Produtividade, Sharepoint, Teams,…).

Este tipo de apresentações tem sempre um pouco da área comercial (mas pouco) sendo mais direccionado para quem vai implementar estas soluções, seja developers ou sysadmins. A cada momento havia umas 5 palestras a decorrer pelo que tinhamos que escolher o que queriamos ver. Eu centrei-me na área de desenvolvimento bem como um pouco de Office (na vertente de produtividade)

Resumo

Sobre as sessões que participei aqui fica o resumo geral.

Como resumo geral diria que o caminho da microsoft é azure para tudo, sendo que no nosso caso, no que diz respeito a desenvolvimento de software, isso quer dizer app service para fazer deploy das noção aplicações dotnet e sql for azure para usar o sql como solução managed. o objetivo não é ter VMs a correr na cloud mas sim usar essas funcionalidades (app e bd) como serviço. muito interessantes tamém as azure functions e a possibilidade de desenvolver add-ins para office 365

informação de todas as sessões: https://aka.ms/MyMsIgniteTheTour

código de todas as sessões: https://aka.ms/msignitethetourcode

Detalhe por sessão

Asp.net core: from windows to linux and back

Uma curiosidade, esta sessão era em italiano mas isso não aparecia no programa pelo que só quando entrei é que percebi que não era em inglês. ainda assim experimentei ficar e até não correu mal, acho que deu para perceber 2/3 do que estava a dizer o orador e o resto deu para perceber o sentido. na apresentação focou-se nas melhorias que vão aparecer na nova versão de dotnet core 2.2 e 3.0, nomeadamente a questão de poder ter aplicaç~çpes winforms. A demo principal consistiu na conversão de uma aplicação tradicional mvc para dotnet core 2.2. claro que estas demos são sempre preparadas para tudo parecer o mais simples possivel mas ainda assim foi interessante ver esse processo. para além disso, e sendo o dotnetcore uma tecnologia cross-plataform demonstrou-se esse mesmo site a correr a partir de um raspberry pi. neste caso o que se passou para o raspberry pi foi um docker container com essa webapp. um conceito interessante e que pode abrir portas para conseguirmos entrar em áreas mais mais dentro do iot, eventualmente soluções de chao-de-fabrica, sem ter que ir para componentes mais específicos.

Running machine learning experiments on inventory management

https://techcommunity.microsoft.com/t5/Microsoft-Ignite-The-Tour/Running-Machine-Learning-experiments-on-inventory-management/m-p/284158

esta foi sem duvida a sessão mais aborrecida. o tema parecia interessante mas foi demasiado teorica pelo menos para o que eu conseguia absorver. ainda assim focou a area de machine learning nomeadamente na vertente do que eles chamam cognitive services, dentro da área do reconhecimento de imagens. é neste tipo de funcionalidade que pelo menos no futuro próximo me parece que vai ser dificil não ter que recorrer a um dos grandes players de serviços cloud, seja microsoft seja amazon.

Investing in serverless: less servers more code

https://techcommunity.microsoft.com/t5/Microsoft-Ignite-The-Tour/Investing-in-Serverless-less-servers-more-code/m-p/284148

depois de uma sessão muito técnica vimos uma sessão mais prática onde mais uma vez se usou um serviço para reconhecer imagens mas onde o destaque eram as durable functions. as durable functions são uma espécie de v2 das azure functions que são serviços na cloud que não têm estado e que podem ser programados por nós sendo depois feito deploy na cloud sendo que podem correr no seguimento de algum trigger que seja definido. por exemplo queremos enviar um report sempre que um stock desce abaixo de determinado valor. no caso das durable functions podemos criar mais alguma lógica que, entre chamadas, faz a persistencia dos valores, ou seja em vez de ser uma função stateless passamos a poder ir buscar o estado entre chamadas. parece muito interessante também por causa dos valores já que os primeiros muitos milhares de chamadas são gratuitos

Migrating web applications to azure

https://techcommunity.microsoft.com/t5/Microsoft-Ignite-The-Tour/Migrating-web-applications-to-Azure/m-p/284174

esta foi a primeira sessão de um conjunto que tratava de migrar uma aplicação web de servidores on premise para serviçs cloud. em todas elas houve um foco grande em em vez de usarmos o azure como uma solução Infrastrucutre as a Service (IaaS) usarmos como Platform as a Service (PaaS), ou por outras palavras, em vez de termos VMs na Azure, usarmos os serviços geridos, seja a nivel aplicacional (para aplicações dotnet, nodejs, …) seja também para bds usando o sql service. Nesta sessão focou-se a parte aplicacional e foi demonstrado todo o processo de configuração de uma solução deste género através do portal Azure desde a criaçao do “resource group” até à configuração dos diferentes serviços

Moving your database to azure

https://techcommunity.microsoft.com/t5/Microsoft-Ignite-The-Tour/Moving-your-database-to-Azure/m-p/284149

esta segunda sessão focou-se na parte da base de dados e todo o processo de passagem de uma base de dados sql de um servidor local para um serviço sql azure. Aqui focou-se muito também toda a questão de reduzir toda a componente de inrfaestrutura, desde hardware, licencimento, tempos de instalação e configuração, bem como, depois disso, o facto de estarmos sempre atualizados com os ultimos patchs e termos de raiz alguns serviços como dns e também um backup standard de dados. falou-se ainda de uma aplicação que permite fazer o “assessement” inicial de uma base de dados para verificar se é passível de ser colocada online.

Excel Solution Palooza! Get inspired by the latest and greatest Excel..

https://techcommunity.microsoft.com/t5/Microsoft-Ignite-The-Tour/Excel-Solution-Palooza-Get-inspired-by-the-latest-and-greatest/m-p/284141

para “desenjoar” um pouco de azure fui ver uma sessão sobre o que é possivel atualmente fazer a nivel de addins para Excel e fiquei completamente maravilado. Embora ainda não estejamos ao nivel do VBA, atualmente já é possivel fazer mesmo muita coisa com estes Office Addins. Eles são construidos em Javascript e correm igualmente no office “normal”, office online e office for mac. As APIs existentes já permitem coisas tão interessantes como criar graficos programaticamente, inclusive criar pivot tables bem como criar funçoes que depois podem ser usadas em formulas dentro da folha de trabalho. até para criar o tetris no excel! muito muito interessante.

Modernizing your applications with containers and serverless

https://techcommunity.microsoft.com/t5/Microsoft-Ignite-The-Tour/Modernizing-your-application-with-containers-and-Serverless/m-p/284152

voltando ao azure fui ver uma ultima sessão sobre um novo serviço disponibilizado e que permite colocar containers diretamente na plataforma azure. embora em algumas questões seja parecido com os appservices, neste caso permite uma melhor definição de escalabilidade (por exemplo dizer até onde queremos aumentar e depois diminuir). é uma soluçao mais pensada para quem quer ter de um momento para o outro uma montanha de servidores a fazer o mesmo (tipo criar modelos para suporte a soluções de machine learning). dentro o nosso cenário habitual, web apps de negócio, a solução app service é a mais recomendada

Sobre a cidade

friozinho… e não só

Information Architecture

Says Abby Covert that this is a book a that you can read during the time it takes to go from New York to Chicago by plane, meaning some 2 and a half hours. And, yes, you can do that. But really getting into what she is telling us is something that will probably take us some weaks. And putting them into practice, well, it’s something that can take a work life.

A book on information architecture that doesn’t seems to be about information architecture just because information architecture is almost everywhere.

“Information architecture is the way that we arrange the parts of something to make it understandable”